Após quase uma década de análises os investigadores concluíram que as tecnologias mais pequenas difundem-se mais rapidamente, são mais fáceis de penetrar no mercado e têm um maior impacto ambiental.

Publicado na revista científica Science, com o título “Granular technologies to accelerate decarbonization” (Tecnologias granulares para acelerar a descarbonização), o estudo garante que as inovações de menor escala, além de criarem mais empregos e serem mais baratas para a população, são mais rápidas a descarbonizar.

Defendem os investigadores que partilhar táxis ou instalar em casa painéis solares é mais eficaz para combater alterações climáticas do que construir grandes centrais nucleares, solares ou eólicas.

Portugal foi o primeiro país do mundo a estabelecer metas para ser totalmente neutro em emissões de dióxido de carbono (CO2) até 2050, para cumprir o Acordo de Paris sobre o clima e assim fazer face às alterações climáticas.

Essas metas podem ser atingidas com tecnologias de menor escala, garantiu à Lusa um dos autores do estudo, Nuno Bento, investigador do ISCTE.

“Não só é possível como é desejável”, disse o investigador, salientando que o estudo demorou oito anos a ser feito e que as conclusões do mesmo são sólidas.

Tecnologias de pequena escala não só consomem menos recursos como mais facilmente se expandem e envolvem a população, porque “as pessoas não são envolvidas nos grandes projetos” de geração de energia, enquanto os pequenos projetos estão acessíveis a todos, defendeu.

Salientando que se tem sempre que ter em conta o impacto de qualquer tecnologia, Nuno Bento disse que Portugal está a apostar na energia solar e deu o exemplo da central da Amareleja, um grande projeto que quase não necessita de pessoas na manutenção, e considerou que seria maior o impacto de muitos projetos de painéis solares nas casas.

No caso das lâmpadas LED, exemplificou, houve uma adesão da população e isso fez com que elas se tornassem mais eficientes e mais baratas, e são um fator importante porque a iluminação representa um quarto da energia que se consome nos edifícios. Sendo uma pequena tecnologia teve um grande impacto e limitou o consumo de energia, permitindo que se construíssem menos grandes centrais de produção de energia, salientou.

E quanto às bicicletas elétricas o investigador admitiu, nas declarações à Lusa, que as cidades estão mais pensadas para automóveis do que para bicicletas elétricas, mas também é certo que “as coisas estão a mudar”.

E se “o paradigma continua a ser pensar que o gigantismo resolve o problema” (das alterações climáticas) a verdade é que “mais pequeno terá um efeito mais rápido e tem menos riscos”, defendeu o investigador, acrescentando que é melhor pensar em soluções rapidamente implementáveis do que pensar em reestruturar todo o sistema para construir, por exemplo, o TGV (comboio de alta velocidade).

“A opinião generalizada dos grandes decisores políticos é que as grandes tecnologias — como as energias renováveis ou as centrais nucleares — são a forma mais rápida de reduzir os gases com efeito de estufa, mas este estudo veio provar o contrário”, afirma o investigador do centro DINÂMIA’CET, do ISCTE.

Além de Nuno Bento o estudo tem como autores investigadores austríacos e britânicos, que defendem que era melhor para o ambiente mudar as rotinas diárias de milhares de milhões de pessoas do que recorrer a grandes e caras infraestruturas.

Os autores salientam ainda que a aposta em soluções mais pequenas leva a mais emprego. Diz Nuno Bento, citado num comunicado: “A energia solar fotovoltaica foi aplicada nos primeiros anos em Portugal com a Central Solar Fotovoltaica de Amareleja, mas foi a criação, instalação e manutenção de pequenos sistemas nos telhados das habitações que trouxe um grande número de negócios, de encomendas e de empregos a este setor no país”.

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