“Queremos muito mais para poder não influenciar, mas [sim] decidir a governação, e dizer mais, dizer que nunca governaremos em vão”, afirmou numa intervenção na XI Convenção Nacional, em Lisboa.

A deputada considerou que há quem queira transformar a grande sobre o futuro do Bloco “numa aritmética de governabilidade”.

“Com quantos por cento é que o BE aceita ir para o Governo socialista? E nós respondemos à boa maneira popular: nesta casa não se fia”, enfatizou.

Joana Mortágua disse que o BE não troca “nenhuma carreira europeia pela carreira de professores, pela carreira dos enfermeiros, pelo pagamento de todas as dividas que este país ainda tem sobre quem sofreu uma década de agressão social”.

“Queremos mais, um governo de esquerda com um programa de esquerda”, disse perante os delegados.

Na sua intervenção, após terem sido retomados os trabalhos do no período da tarde neste primeiro dia da convenção do Bloco de Esquerda, a deputada tinha começado por questionar a plateia: “E depois do adeus?”

A deputada referia-se ao fim da legislatura, no próximo ano, após ter sido um dos partidos que viabilizou o governo minoritário do PS.

A dirigente lembrou que o partido recusou, em 2015, a “insignificância” quando com 10% dos votos negociou um acordo parlamentar que “apeou a direita do governo”.

“E quando os 10% se fizeram gigantes, aumentámos o salário mínimo, aumentámos as pensões, libertámos os salários dos cortes, reduzimos impostos, diminuímos as propinas, mas não nos enganamos porque não tirámos o pé das ruas e não perdemos o fio às lutas”.

Para a deputada estas são a marca da influência do partido, mas também “as limitações do PS”.

“O PS disse ao país que era possível virar a página da austeridade e cumprir as metas do tratado orçamental, mas é precisamente essa promessa que é hoje o colete de forças da geringonça. Depois do que conseguimos, o PS travou sempre que quisemos ir mais longe. [O] investimento publico é o limite da geringonça e não é por uma questão de sustentabilidade das contas publicas, é por uma questão de sustentabilidade da campanha de Mário Centeno”, criticou.

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