Bolsonaro anunciou ainda que o Brasil vai deixar de exigir visto aos cidadãos chineses que visitem o país para turismo e negócios, o que demonstra “a confiança” do seu Governo no país asiático.

A isenção de visto é uma medida que o Brasil aprovou já para cidadãos dos Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá, e que deverá também aplicar-se à Índia, segundo o Presidente.

Bolsonaro reúne-se hoje com o homólogo da China, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro Li Keqiang, na sua primeira visita de Estado à China.

A eleição de Bolsonaro foi inicialmente recebida com apreensão pelas autoridades chinesas, face à sua aproximação a Taiwan e críticas feitas ao investimento chinês durante a campanha.

Bolsonaro tomou posse no início deste ano com a promessa de reformular a política externa brasileira, com uma reaproximação aos Estados Unidos, e pondo em causa décadas de aliança com o mundo emergente.

À chegada a Pequim, na quinta-feira, o líder brasileiro definiu como objetivo “número um” da visita o aumento e diversificação do comércio com a China.

Bolsonaro enfatizou que o entendimento “perfeito” entre o Legislativo e o Executivo no Brasil permitiu reformas como a aprovação no Congresso da reforma da previdência, o que dá “mais segurança” aos investimentos.

E anunciou que, “em breve”, outras mudanças fiscais e administrativas serão implementadas.

“Os números não mentem”, afirmou, apontando que as taxas de juros atingiram “um nível nunca antes visto” de 5,5%, enquanto a inflação “está abaixo” da meta, o que “prova que foi definitivamente domada”.

“Isto traz previsibilidade, confiança e certeza para quem quer investir no Brasil”, afirmou.

Em 2018, as exportações para a China representaram 26,8% do total das vendas do Brasil ao exterior e atingiram um pico de 64,2 mil milhões de dólares, beneficiando em parte das disputas comerciais entre Pequim e Washington.

Mas os responsáveis brasileiros sublinharam em Pequim a capacidade do país de exportar também produtos com maior valor agregado no setor do agronegócio, visando diversificar uma balança comercial que assenta sobretudo soja, petróleo e minério de ferro.

“Esse é o grande desafio: alargar o tipo de produtos e assegurar que esses produtos têm alto valor agregado”, disse à agência Lusa Augusto Pestana, Diretor de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), apontando os laticínios, frutas e carnes.

Durante o fórum de negócios, em Pequim, a ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina, lembrou também a importância do mercado chinês.

“É o único país que já visitei duas vezes, o que demonstra a importância da China para nós. Podemos oferecer muito mais do que soja e carnes à China”, apontou.

O fórum contou ainda com a participação do vice-primeiro-ministro chinês Hu Chunhua, que sublinhou que os dois países são “parceiros naturais” e instou Brasília a fortalecer a cooperação em fóruns multilaterais como o BRIC ou o G20.

O vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da China, Zhang Xuguang, considerou também que a China e o Brasil “compartilham estágios de desenvolvimento semelhantes” e são complementares a nível de procura de recursos e estrutura industrial.

Zhang sublinhou a cooperação no setor das infraestruturas, exploração petrolífera, construção de gasodutos e usinas hidrelétricas e geração e transmissão de energia, com destaque para a presença da estatais China State Grid e China Three Gorges no Brasil.

O Banco Central do Brasil calcula que os investimentos chineses no país, desde 2010, atingiram os 21 mil milhões de dólares, incluindo os setores da eletricidade e gás, indústrias extrativas, financeiro, seguros e automóvel.

Newsletter

As notí­cias não escolhem hora, mas o seu tempo é precioso. O SAPO 24 leva ao seu email a informação que realmente importa comentada pelos nossos cronistas.

Notificações

Porque as noticias não escolhem hora e o seu tempo é precioso.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.