“Você sabe porque foi pouca gente nesta manifestação da esquerda, agora, no último fim de semana? Porque a PF [Polícia Federal] e a PRF [Polícia Rodoviária Federal] estão apreendendo muita maconha pelo Brasil. Faltou ‘erva’ para o movimento”, declarou Bolsonaro em Brasília.

Esta foi a primeira declaração do Presidente brasileiro após os protestos convocados pelas frentes Povo sem Medo, Brasil Popular e Coalizão Negra por Direitos, contra seu Governo em mais de 200 cidades do país.

Contrariamente ao que disse Jair Bolsonaro, a adesão do público aos protestos surpreendeu até mesmo algumas áreas da oposição, que esperavam um número menor de pessoas nas ruas devido à pandemia de covid-19.

No centro do Rio de Janeiro, cerca de 10.000 pessoas participaram no protesto, organizado por movimentos de esquerda e estudantis, gritando “Fora Bolsonaro” e “Genocídio de Bolsonaro”, numa referência às vítimas da covid-19 no Brasil.

As mesmas críticas foram repetidas em São Paulo, onde ocorreu o maior ato na tarde de sábado, embora o público não tenha sido contabilizado pelas autoridades policiais.

Nos protestos, que decorreram em outras cidades brasileiras como Salvador, Brasília e Belo Horizonte, os manifestantes acusaram ainda Bolsonaro de racismo e criticaram-no por promover a desflorestação da Amazónia.

Para os manifestantes, muitas das mortes de covid-19 poderiam ter sido evitadas se a abordagem no controlo da pandemia tivesse sido outra e se o Governo brasileiro tivesse lançado a campanha de vacinação mais cedo.

As organizações das manifestações pediram aos participantes para adotarem as medidas de prevenção da covid-19 e distribuíram máscaras e gel desinfetante.

Os protestos decorreram depois de Jair Bolsonaro ter convocado manifestações de apoio ao seu Governo há duas semanas.

A gestão de Bolsonaro da pandemia está a ser investigada por uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado brasileiro, que investiga alegadas omissões cometidas pelo Governo na gestão da pandemia.

Este também é o momento mais impopular de Bolsonaro, que enfrenta forte queda de aprovação embora mantenha o apoio de cerca de 25% dos brasileiros, segundo sondagens divulgadas nas últimas semanas.

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