“Temos estado a aconselhar as populações para tomarem a decisão de regresso à zona de origem só quando for devidamente recomendado”, referiu o chefe de Estado.

Nyusi falava durante as comemorações do Dia das Forças Armadas e de Defesa de Moçambique (FADM), em Pemba, capital de Cabo Delgado, província há quatro anos atingida por uma insurgência armada.

“Voltem quando as autoridades aconselharem, porque queremos estabilizar a área tornada livre desses terroristas”, sublinhou.

Forças moçambicanas com o apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) estão desde julho a reconquistar terreno aos rebeldes nos distritos do norte da província.

Filipe Nyusi pediu hoje por várias vezes “vigilância” a toda a população, dado “os terroristas estarem em fuga” e a refugiar-se “noutras zonas”.

“Até podem fugir para outras províncias. Haja vigilância. O nosso apelo é vigilância total”, reiterou.

Enquanto o norte da província regista um aumento de segurança, grupos armados desconhecidos atacaram na quinta-feira aldeias e viaturas nos distritos a sul, provocando, pelo menos, quatro mortos, segundo testemunhos locais à Lusa.

Paul Kagame, Presidente ruandês, foi o convidado de honra das comemorações de hoje em Pemba e reiterou a vontade de continuar a trabalhar com Moçambique, na sequência do seu discurso de sexta-feira, à chegada.

“Não podemos estar aqui para sempre, porque os problemas também não vão durar para sempre”, referiu hoje aos jornalistas, acrescentando que enquanto for necessário haverá cooperação “com Moçambique e outros países”.

“A cada passo avaliamos o que é preciso fazer” e a duração da missão ruandesa em Moçambique “será uma decisão natural, à medida que forem sendo feitos progressos”, sublinhou.

Já na sexta-feira, Kagame tinha referido perante as suas tropas destacadas em Cabo Delgado que “a tarefa que agora se vai iniciar é a de manter [seguras] as zonas já libertadas para permitir a reconstrução e o regresso das populações”.

A província nortenha de Moçambique é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, segundo as autoridades moçambicanas.

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