“Neste momento, não há nenhum motivo para haver pânico na população e para não se ter confiança na água de abastecimento público”, disse o presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado, em declarações à Lusa.

O autarca explicou que as análises ao sistema de abastecimento público de água, que é feito através da barragem de Gouvães e que abastece Vila Pouca de Aguiar, Cidadelha de Aguiar e Fontes do Alvão, são feitas pelo laboratório que está a ser investigado, mas também pela Iberdrola (empresa espanhola de distribuição de energia e gás natural) e pela delegação de saúde local.

“E em todas elas [análises] temos garantia de qualidade de água durante este período”, vincou.

Além deste, Alberto Machado esclareceu que a entidade de saúde local também tem vindo a recolher amostras e a fazer análises nos restantes 82 sistemas de abastecimento público de água do concelho, no distrito de Vila Real.

Apesar disso, e perante a suspeita que recai sobre o laboratório em causa, a Câmara de Vila Pouca de Aguiar decidiu já hoje contratar os serviços de um laboratório credenciado pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e de capital 100% público, para efetuar análises à água dos 83 sistemas de abastecimento público de água, revelou.

O presidente da autarquia considerou que os resultados à água deverão ser conhecidos nos próximos dias.

Por causa do laboratório em causa, o município foi alvo de buscas esta manhã pela Polícia Judiciária (PJ), tal como outras no distrito de Bragança, mas “em nada é considerada” no processo, garantiu Alberto Machado.

O laboratório envolvido numa investigação por falsificação de análises de água destinada ao consumo humano é do distrito de Bragança e pretendia, com aquela alegada prática, ganhos económicos e corresponder aos pedidos dos clientes, avançou hoje a PJ/Vila Real.

Em conferência de imprensa, o coordenador do departamento de investigação criminal da PJ/Vila Real, António Trogano, explicou que o laboratório, que se escusou a identificar referindo apenas pertencer à região de Trás-os-Montes, designadamente ao distrito de Bragança, ao não efetuar a recolha de amostras de água, ao adulterar a recolha ou a fazer a recolha e falsificar os resultados tinha com objetivo obter ganhos económicos, por receber por um serviço que não realizava, e corresponder aos “desejos” de clientes de entidades públicas ou privadas.

“A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal de Vila Real com o apoio de outras unidades da PJ, no âmbito de um inquérito titulado pelo Ministério Público – DIAP Regional do Porto, procedeu à realização de 60 buscas domiciliárias e não domiciliárias, que visaram diversos particulares, empresas e entidades públicas sitas em diferentes concelhos do território nacional, designadamente em Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Guarda, Lisboa, Porto, Vila Real e Viseu”, narrou a PJ, em comunicado.

Além da Câmara de Vila Pouca de Aguiar foram também alvo de buscas, no âmbito desta Operação Gota d´Água, as câmaras de Miranda do Douro, Mogadouro, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Flor e Mirandela, no distrito de Bragança.

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