O XII Congresso do Livre arrancou hoje no Convento de São Francisco, em Coimbra, e grande parte dos trabalhos foi dedicada às intervenções dos candidatos à Assembleia, órgão máximo entre congressos, composto por 50 membros eleitos uninominalmente e que conta com cerca de 80 candidaturas.

Pela primeira vez na sua história, o Livre conta com duas listas candidatas ao Grupo de Contacto (direção) e uma das críticas deixadas pela lista ‘B’ é o facto de a Assembleia, nos últimos dois anos, não ter sido “envolvida nos processos de orientação, decisão e negociação políticas conducentes à afirmação do partido”.

Ao longo das intervenções ouviram-se críticas quanto ao funcionamento da Assembleia cessante que Diana Barbosa, uma das fundadoras do partido, chegou a dizer que por vezes se assemelhava a um “espaço de ‘bullying’”: “Não nos esqueçamos que os nossos inimigos não são os nossos camaradas”.

Bernardo Vidal subiu ao púlpito para dizer que “o Livre só pode existir se tiver a pretensão de resolver os problemas das pessoas”.

“É por isso que aqui estou hoje para fazer parte de uma solução de uma Assembleia forte e ativa, não uma Assembleia de senadores, mas uma Assembleia com vontade de trabalhar, de lutar, e tornar o Livre a plataforma de participação política de quem acredita num mundo mais verde, solidário e mais igual”, sustentou.

Jorge Pinto, cabeça-de-lista do partido pelo círculo do Porto nas legislativas de janeiro, deixou um aviso aos camaradas: “Os egos, a ambição política, a vontade de mais visibilidade, até a vontade de participar, [são] tudo coisas legítimas, mas é preciso que nada disto nos impeça de ver que um partido é sempre um meio e nunca é um fim em si mesmo”.

Num dos discursos mais aplaudidos pelos congressistas, Tomás Cardoso Pereira, dirigente e diretor da campanha para as legislativas de janeiro, considerou que o Livre “é o local para debater as ideias, longe das chicanas políticas de secretaria”.

Na opinião do dirigente, a Assembleia “é para, internamente, travar discussões ideológicas e programáticas saudáveis, que ajudem a dar corpo à visão do partido, sempre em colaboração estreita e não em competição com o Grupo de Contacto” e outros órgãos, como disse ter assistido nos últimos dois anos.

“O que mais me custou […] foi ver esta Assembleia refém de comportamentos desrespeitosos, agressivos e completamente inaceitáveis na tradição da discussão interna e cordial que o Livre tinha, tem e continuará a ter, por muito que alguns insistam em tentar baixar o nível do debate”, acrescentou.

Neste sentido, Tomás Cardoso Pereira defendeu que o que deve unir os membros do partido “são as ideias, porque a força do Livre é a força das ideias”, entre elas, o novo pacto verde, a justiça fiscal ou o feminismo.

Também Miguel Bento apelou à união entre órgãos, comprometendo-se a trabalhar para a “agilização e interligação necessária para a assembleia e os outros órgãos” e mais tarde Pedro Mendonça, porta-voz do Grupo de Contacto cessante, desincentivou a criação de “guetos” internos.

Sem mais pontos na agenda, os trabalhos do primeiro dia de congresso terminaram perto das 18:00. Os membros aprovaram ainda o debate e votação de mais uma moção específica no domingo, segundo e último dia da reunião magna, juntamente com as 31 já divulgadas.

Segundo a organização, o congresso tem 290 inscritos – 175 presencialmente e 115 à distância.

O Livre iniciou hoje em Coimbra o seu XII Congresso, que vai eleger os novos órgãos e terá pela primeira vez duas listas candidatas à direção, com a oposição interna a pedir mais pluralidade de vozes do partido.

A reunião do órgão máximo do partido termina no domingo, com a eleição dos órgãos nacionais para o mandato 2022-2024.

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