"Uma das vantagens é que as maquetes, fotografias, desenhos e textos vão ficar disponíveis para os investigadores e quem tenha curiosidade poder consultar", disse, em declarações à Lusa, o arquiteto João Luís Carrilho da Graça.

O acervo, que contempla cerca de 300 projetos do arquiteto, galardoado em 2008 com o Prémio Pessoa, e que chega agora à Casa da Arquitetura, em Matosinhos, é resultado de mais de 40 anos de trabalho.

Para o arquiteto, a incorporação do seu acervo no arquivo da Casa da Arquitetura vai também "garantir a conservação" dos seus projetos, alguns dos quais já não revia há vários anos.

"Estou a fazer a reorganização do arquivo do meu atelier e isso permite-me abrir rolos e caixas que estavam fechadas há 30 e 40 anos. Não tenho muito por hábito olhar para o que já fiz, mas tenho tido muitas surpresas. É um processo que é trabalhoso, mas que ao mesmo tempo, é muito interessante", admitiu.

À Casa da Arquitetura chega assim um extenso conjunto de projetos, alguns executados em Espanha, França, Chipre, Itália, Egipto, Brasil e Estados Unidos da América, mas na sua maioria em território nacional, tais como as piscinas, em Campo Maior (1982-1990), a ponte sobre a Ribeira da Carpinteira, na Covilhã (2003-2009) e o Terminal de Cruzeiros, em Lisboa (2010-2018).

Entre desenhos, escritos e uma extensa coleção de maquetes de obras construídas, o acervo de Carrilho da Graça incorpora também alguns projetos que não chegaram a passar do papel.

Citado no comunicado da Casa da Arquitetura, o diretor-executivo da instituição, Nuno Sampaio, salienta que este é um "acervo muito completo, que reflete o trabalho qualitativo de um grande arquiteto".

"Uma referência da arquitetura portuguesa e de dimensão internacional", refere Nuno Sampaio, assegurando o compromisso da instituição em "conservar, organizar e dar conhecimento ao público deste vasto acervo que no próximo ano irá resultar numa grande exposição na Casa da Arquitetura".

Relativamente a esta "grande exposição", o arquiteto adiantou que o objetivo passará por ver e analisar a arquitetura que, ao longo dos anos, Carrilho da Graça foi construindo.

A cerimónia de assinatura do contrato de depósito do acervo no Arquivo da instituição decorre no sábado, pelas 15:30, sendo que a apresentação da obra estará a cargo de Delfim Sardo.

Nascido em Portalegre, João Carrilho da Graça, de 67 anos, é autor, entre outros projetos, da Escola Superior de Comunicação Social, concluída em 1993, Prémio Secil no ano seguinte, do Museu do Oriente, da musealização arqueológica da Praça Nova do Castelo de São Jorge e da Escola Superior de Música do Politécnico de Lisboa, entre outros projetos.

O arquiteto licenciou-se na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1977 (atual Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa), ano em que iniciou a sua atividade profissional.

Foi por várias vezes nomeado para o prémio europeu de arquitetura Mies van der Rohe (1990, 1992, 1994, 1996, 2009, 2011, 2013, 2019), distinguido com o Prémio Valmor pelo Pavilhão do Conhecimento dos Mares (1998) e pela Escola Superior de Música (2008).

Ao conjunto da sua obra foram atribuídos diversos prémios, nomeadamente o da Associação Internacional dos Críticos de Arte (AICA), em 1992, a Ordem de Mérito da República Portuguesa (1999), o título de Chevalier des Arts et des Lettres da República Francesa (2010) e a Medalha da Académie d’Architecture de França (2012).

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