Nas declarações feitas por Mariana Fonseca ao juiz de instrução criminal, e ouvidas hoje à tarde na audiência do julgamento a pedido do Ministério Público (MP), a arguida admitiu “ter fornecido as ampolas do fármaco Diazepam” para, supostamente, adormecer a vítima.

“Levava habitualmente ampolas do hospital para a Maria, por causa das insónias dela”, referiu a enfermeira, acusada de coautoria dos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver, dois crimes de acessos ilegítimo, um de burla informática, roubo simples e uso de veículo.

Mariana Fonseca, a única das duas arguidas que aceitou falar na primeira sessão do julgamento, negou no primeiro interrogatório judicial ter sido ela a entregar o fármaco à companheira, com quem tinha uma relação amorosa, embora tivesse acesso ao mesmo no hospital de Lagos, onde trabalhava.

No primeiro interrogatório judicial, Mariana Fonseca admitiu também ter sido informada pela companheira de um eventual “plano para arranjar mais dinheiro”.

“Ela disse que ia arranjar maneira de termos mais dinheiro, tinha um plano, mas que não ia dizer o que era, e que o plano incluía terceiros”, ouviu-se na gravação.

O plano, segundo a arguida, ia ser executado pela companheira no dia em que a acompanhou a casa da vítima, em Algoz, no concelho de Silves.

No entanto, na sessão do julgamento perante o tribunal, Mariana Fonseca disse desconhecer “qualquer plano e que a viagem a casa da vítima tinha como motivo a instalação de umas colunas no carro da companheira”.

As contradições estendem-se também à sua participação na mutilação do corpo, nomeadamente ao corte dos dedos para desbloquearem os telemóveis da vítima, e à sua presença na garagem da casa onde ambas habitavam no Chinicato, em Lagos, local onde, segundo a acusação, terá sido desmembrado e decapitado o corpo de Diogo Gonçalves.

No primeiro interrogatório judicial, a arguida admitiu ter ficado a ativar o sensor na garagem para manter a iluminação acesa, enquanto a companheira cortava o corpo, o que contradiz o depoimento no debate instrutório e no julgamento, ao negar “a presença no local”.

O advogado de Mariana Fonseca admitiu, no final da sessão na tarde de hoje, voltar a requerer a audição do inspetor da Polícia Judiciária Nuno Nunes, único elemento daquela polícia arrolado como testemunha no processo.

João Grade disse que “ainda não decidiu” se vai requerer a presença do inspetor, ficando a decisão dependente “de como o tribunal valorar as declarações gravadas e apresentadas na audiência”.

Confrontado com as contradições dos dois depoimentos da sua constituinte, João Grade desvalorizou “as versões diferentes, às quais não devem ser dadas grande relevância”.

As arguidas, uma enfermeira e uma segurança, estão acusadas pelo MP dos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver, dois crimes de acessos ilegítimo, um de burla informática, roubo simples e uso de veículo.

Segundo o MP, as duas mulheres são suspeitas de terem matado um jovem, em março de 2020, no Algarve, a quem tentaram extorquir dinheiro que tinha recebido cerca de 70 mil euros de indemnização pela morte da mãe.

O julgamento prossegue no dia 9 de março, às 09:15.

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