O resultado de domingo, com cinco deputados eleitos, só se compara com o das eleições de 1991, quando o PSD teve a sua segunda maioria absoluta, e conseguiu mais um do que em 1987, na primeira maioria laranja, quando ficou conhecido como “partido do táxi”.

Assunção Cristas foi rápida a assumir responsabilidades pela derrota do partido, que se tornou a quinta força política, e anunciou, logo às 21:00, a sua demissão e a antecipação do congresso do partido, ao qual não vai concorrer.

Desde há meses que nas sondagens - para as quais Assunção Cristas ironizava que os militantes estão “vacinados” desde que se filiam no partido - o CDS “não descolava” e os resultados de domingo confirmaram os cenários mais cinzentos.

Sem nunca estabelecer uma meta definida e quantificada, Cristas modulou o discurso entre “o reforço do CDS” e na ambição de “contribuir para uma maioria de centro e de direita” em Portugal, capaz de ser alternativa ao PS e aos partidos de esquerda.

E todos esses objetivos ficaram pelo caminho da campanha eleitoral: os centristas não reforçaram a votação e juntos, PSD e CDS tiveram, segundo os resultados provisórios em território nacional, 32,15% dos votos, abaixo dos 36,8% da coligação PAF em 2015.

Da noite eleitoral de domingo na sede do largo Caldas, que durou duas horas e meia para Assunção Cristas, ficam a soma das perdas e a queda do CDS para quinta força política.

Da atual bancada de 18 deputados, eleita em 2015, em coligação com o PSD, os centristas ficaram reduzidos a cinco, perdendo eleitos de Setúbal (Nuno Magalhães), Viseu (Helder Amaral), Viana do Castelo (Filipe Anacoreta Correia), Faro (João Rebelo), Leiria (Raquel Abecasis), Santarém (Patrícia Fonseca), Viana do Castelo e perderam três representantes em Lisboa, dois no Porto, um Braga e outro em Aveiro.

O desaire eleitoral de domingo e a demissão da presidente abriu a corrida à sucessão de Cristas.

Ainda não tinha passado uma hora e logo surgiram declarações de intenções da parte de dois dirigentes centristas, ambos com representantes no conselho nacional do partido, principal órgão entre congressos.

Filipe Lobo d’Ávila, ex-deputado e do grupo "Juntos pelo Futuro" do CDS, afirmou-se “em estado de choque”, mas não esclareceu se vai avançar para a liderança.

Abel Matos Santos, da Tendência Esperança em Movimento (TEM), também anunciou que será candidato no congresso que será antecipado.

Dos atuais membros da direção que acompanhou Assunção Cristas desde 2016, não houve, na noite eleitoral, qualquer sinal de avanço ou disponibilidade.

Para a noite eleitoral ficará (quando ainda faltam apurar os círculos da Europa e Fora da Europa, onde o CDS não elege deputados), o pior resultado de sempre, 216.448 votos (4,25%) e cinco deputados, muito longe dos 653.883 votos (11,7%) e 24 deputados eleitos em 2011.

Até agora, os piores resultados do CDS tinham sido em 1987, quando obteve 251.987 votos (4,44%) e quatro deputados, em 1991, com 254.317 votos (4,43%) e cinco deputados e em 2005, com 416.415 votos (7,24%) e 12 deputados.

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