“Já tem havido insolvências e encerramentos, mas não tenho memória de uma coisa assim”, conta Nuno Coelho, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte. Sentados à mesa da cervejaria, no meio de uma sala composta, nem parece que aqui houve uma espécie de revolução.

A arquitetura da Galiza não é de espanto. Vale-lhe, porém a história, que ao longo das quase cinco décadas de existência passou pelo balcão corrido e pelos bancos altos de cromado e napa castanha. Nas paredes, acima dos painéis de madeira, desenham-se uns murais com a Sé, Santo Ildefonso, o Bom Sucesso, a Ribeira, a Arrábida e os Clérigos.

“Não tenho memória”, continua Nuno, “trabalhadores que se uniram e estão a defender os seus postos de trabalho até ao fim”. Do lado de lá do balcão, os trabalhadores andam para trás e para a frente a servir as mesas.

Num expositor, debaixo duma luz branca, descansam, defuntos que são, camarões. E, de barriga para o ar, na sua morta mortandade de ser alimento, uma enorme sapateira. Apesar de mortos, os bichos são testemunhas duma revolução: 31 trabalhadores opuseram-se ao encerramento do local de trabalho e gerem-no desde então.

Isto não é uma cooperativa; nem sequer uma autogestão. Conversando com a patroa, Delfina Amaral, os trabalhadores da Galiza — alguns com quase quatro décadas de casa — convenceram-na a nomear uma “comissão de gestão”, composta por três trabalhadores da sua confiança.

Apesar do silencioso e afastado braço de ferro com a proprietária, uma senhora já com mais de 80 anos, que se rodeou de advogados e consultores para gerir o estabelecimento nos últimos anos, a casa está cheia. Estamos a almoçar com o dirigente do sindicato, que vai explicando a história da Galiza e aquilo que a trouxe ao estado em que anda.

Um alegado desfalque abriu uma dívida de 1,8 milhões de euros ao Estado, entre outras dívidas a fornecedores e aos funcionários. Terá sido este o momento que mudou o rumo da história da Galiza e as medidas para revitalizar o negócio que lhe sucederam acabaram por afastar ainda mais clientes.

Com salários em atraso e o subsídio de Natal do ano passado ainda por pagar, os trabalhadores da Galiza fecharam o restaurante para uma greve. Dois dias depois, a gerência procurou encerrar o estabelecimento: encaixotou o recheio, tentou mudar a fechadura e assinou um comunicado a dizer que a casa estava encerrada.

Inconformados, os trabalhadores forçaram a entrada e, depois de quatro horas de negociações, convenceram a patroa a entregar-lhes a gestão enquanto não chega uma solução final: um investidor que pegue no negócio, ou a insolvência, com o respetivo despedimento coletivo.

Há duas semanas que os empregados da Galiza seguram o barco: gerem as compras com o dinheiro da caixa e apelam ao Porto para encher o restaurante. Em seis dias conseguiram mais de 25 mil euros, pagando, assim, a totalidade do salário de outubro e uma prestação do subsídio de natal do ano passado.

créditos: PEDRO SOARES BOTELHO / MADREMEDIA

A CUFP, a mescla e o desfalque — uma história em três atos

Este lugar chama-se Galiza. A praça tem esse nome desde 1936. A cervejaria surge depois. A meia centena de metros do espaço onde hoje ser ergue, havia a fábrica cervejeira da Companhia União Fabril Portuense, ou CUFP. Quando a agora Super Bock Group daqui saiu — mudando-se para Leça do Balio, em Matosinhos — ficou a Galiza (não a cervejeira, mas a cervejaria).

A Cervejaria Galiza abriu em 1972 e “tornou-se num espaço de referência na cidade”, conta António Ferreira, membro da comissão de gestão constituída há cerca de duas semanas e delegado sindical.. Começou por ser um lugar exclusivo, com preços para as classes mais altas. Com o tempo, no entanto, foi-se abrindo à cidade.

“À noite, a partir das dez horas, a casa estava sempre completamente cheia”, recorda Ferreira. A Galiza fica à beira de uma das praças centrais do Porto — a da Galiza. A escassas centenas de metros, há dois importantes pólos da Universidade do Porto. Às tertúlias dos estudantes da cidade do Porto, que cresciam noite fora, juntavam-se homens das obras, taxistas e os médicos que saíam tarde dos turnos do hospital.

“Isto era uma mescla da sociedade, era uma casa que estava sempre cheia até às duas da manhã”, lembra António Ferreira. “Às vezes tínhamos dificuldade para que as pessoas saíssem até às três horas da manhã.”

O espaço tornou-se numa memória emblemática da cidade. Olhando para o livro de honra, leem-se testemunhos de pessoas como Sérgio Godinho ou José Hermano Saraiva; Bárbara Guimarães ou D. Ximenes Belo; Rui Rio ou Fernando Alvim.

Depois, o patrão morreu.

Delfina Amaral, mulher de um dos fundadores, ficou com a gestão da Galiza. Porém, “faltou um acompanhamento”, explica Nuno Coelho. Estava aberto o caminho para os problemas.

A culpa é de “um gestor que cá esteve e desfalcou a casa em cerca de 1,8 milhões de euros — dívidas à Segurança Social, ao Fisco e a alguns fornecedores pelo meio”, conta António Ferreira. “A partir daí as dificuldades foram muitas.”

A greve de 9 de novembro de 2019 não foi a primeira. Já em abril de 2005 os trabalhadores da cervejaria a tinham fechado, porque a gerência se “recusou a actualizar os salários dos trabalhadores em 2005”, depois de nos anos anteriores ter processado “unilateralmente aumentos inferiores aos acordados na tabela salarial do sector”, explicava na altura um comunicado do Sindicato da Indústria de Hotelaria e Turismo, citado pela agência Lusa.

Ainda segundo o sindicato, a empresa não pagava o subsídio nocturno das 0:00 às 2:00, assim como o complemento de seguro e abono de falhas e “discrimina os trabalhadores no subsídio de alimentação”. Mais, acrescenta o comunicado: “os horários em prática na empresa ultrapassam o máximo legal de 40 horas e não é concedido o mínimo previsto de um dia e meio ou dois dias de folga”.

O PER  — Plano Especial de Revitalização — chegou em 2016. Os trabalhadores pediam uma melhor gestão da empresa, continuando a abrir as portas ao público: “tentámos ir colmatando com os clientes que íamos servindo”, diz Ferreira.

Na altura, o ‘Jornal de Negócios’ escrevia que “cabe ao Estado salvar ou fechar a Cervejaria Galiza”. “Com uma dívida de dois milhões de euros, há vários anos que não paga ao Fisco, que tem a haver 896 mil euros, nem à Segurança Social, que reclama 736 mil euros.”

Dos 54 credores que em maio de 2016 eram reportados, o Estado detinha “82% do total de créditos reconhecidos pela empresa detentora da cervejaria, a Actividades Hoteleiras da Galiza Portuense, no âmbito do Processo Especial de Revitalização”.

O Estado continua a ser o principal credor. E, por isso, continua a ser também parte da chave do futuro da cervejaria: pode perdoar ou renegociar as dívidas; ou pode apelar a que o espaço tenha continuidade, para que recupere os créditos.

“Hoje, o histórico Galiza navega num mar de incertezas quanto ao seu futuro. E corre mesmo o risco de estar a viver os seus últimos dias de actividade”, dizia então o jornal. Três anos depois, o encerramento não se concretizou, mas a incerteza permanece.

O sindicato, porém, acusa a empresa de nunca ter cumprido o PER. “Há cerca de quatro anos a esta parte, a gerência deixou ao completo abandono o restaurante, pondo em causa a sua sustentabilidade, tendo recorrido a um plano de recuperação que, contudo, nunca cumpriu”, denuncia o sindicato no comunicado onde anuncia a greve de dia 9 de novembro.

“Ao mesmo tempo, a gerência da Galiza descapitalizou e acumulou dívidas”, acrescenta a mesma entidade, num documento de dia 8 deste mês.

créditos: PEDRO SOARES BOTELHO / MADREMEDIA

Os consultores

“Não esclareço mais nada, está bem?” Pedro Torres, antigo consultor de Delfina Amaral na gestão da Cervejaria Galiza pouco adianta sobre o processo atualmente em curso. Durante cerca de ano e meio — até este verão — ele e Filomena Gouveia estiveram por trás das decisões tomadas na cervejaria.

Chegaram à cervejaria em 2017. António Ferreira diz que Pedro “também não percebeu a história da casa e o tipo de cliente que tinha e começou a mudar o serviço”. Mudou o pessoal na cozinha, desapareceram pratos típicos e o dia mais forte da semana, a segunda-feira, passou a ser o dia de encerramento de um estabelecimento que nunca fechava.

Os produtos passaram também a ser outros: de mais fraca qualidade, e em menor quantidade, explica Nuno Coelho.

Como consequência, os clientes começaram a desaparecer.

A edição de outubro do ano passado da revista ‘Portugal Inovador’ apresentava Filomena Gouveia e Pedro Torres como os “consultores” responsáveis por uma nova estratégia da Galiza: “até ao momento em que a casa fizer 50 anos, os nossos clientes vão poder contar com muitas surpresas”, dizia a dupla de consultores.

Agora, contactado pelo SAPO24, Pedro Torres diz apenas que não quer falar sobre o tema. “Não pertenço à Cervejaria Galiza, apenas fui consultor — e há mais de um mês que não estou com a Cervejaria Galiza”, disse, por telefone.

Filomena e Pedro são uma dupla que vem da indústria farmacêutica, mas já está habituada à hotelaria. Estão por trás da Quinta Espírito Santo, em Arcozelo, Vila Nova de Gaia, um projeto a que se dedicaram há cinco anos, que serve eventos e inclui um restaurante. As explicações vêm de um artigo publicado na ‘Revista Business Portugal’, em março de 2018.

Já no início deste ano, o ‘Jornal Novo Regional’ revelava as iniciativas às quintas-feiras (pelo menos até abril de 2019), que consistiam “numa noite da francesinha de porco preto. Com animação musical e acompanhamento da Cerveja Nortada, estas quintas têm sido de grande sucesso. Refira-se o acompanhamento com rissóis e croquetes caseiros da Cervejaria Galiza, conhecido restaurante típico portuense.”

Nos parceiros do “Open Day” onde aquele jornal falou com os gestores da Quinta do Espírito Santo, surge também a Cervejaria Galiza.

A greve

"Funcionários da Cervejaria Galiza, no Porto, cumprem, este sábado, um dia de greve, concentrando-se à porta daquele “restaurante de referência” da cidade em protesto contra atrasos nos pagamentos das remunerações, disse fonte sindical."

Sábado, 9 novembro 2019. O ‘Jornal de Notícias’, diário cuja redação ainda está numa alta torre na zona da Trindade, no Porto, anunciava assim a greve na Galiza. O sindicato justificava a paralisação com todos os acontecimentos na vida recente da cervejaria, que culminaram com uma década de congelamento salarial, ordenados pagos às prestações e o subsídio de natal de 2018 ainda por pagar.

A adesão foi de 100%. Os trabalhadores concentraram-se à porta do restaurante “na defesa dos seus direitos legítimos, pela viabilização da empresa e garantia dos postos de trabalho”, afirmava o sindicato no dia da greve. No domingo seguinte, tudo regressou à normalidade possível.

A contestação não é nova. Nuno Coelho explica que já tinham sido, até, pedidas, em 2018, inspeções da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). Nunca se realizaram — pelo menos até a situação chegar à imprensa: “só depois do mediatismo a ACT veio ver”, conta o líder sindical.

Os caixotes

Segunda-feira, 11 de novembro. É dia de descanso do pessoal, mas os trabalhadores da Galiza estão atentos. Às 19, um trabalhador passou pela rua e apercebeu-se de que algo não estava bem. Chamou os colegas, que se foram concentrando à porta do estabelecimento. Às 22, forçaram a entrada.

Lá dentro, tudo estava pronto a sair. Um fogão ia já a caminho da porta; as bebidas estavam encaixotadas. “Todo o recheio estava pronto para, pela calada da noite, ser retirado do estabelecimento e levado para uma quinta de um misterioso investidor que nunca deu a cara, mas que já geria indiretamente o estabelecimento há muito tempo”, afirma um comunicado do sindicato, divulgado logo na terça-feira, 12 de novembro.

O impasse: os trabalhadores recusavam-se a abandonar o espaço. Veio a polícia. “O encerramento de uma empresa sem cumprimento dos formalismos legais configura a prática de um crime previsto e punível por lei com dois anos de prisão”, diz o sindicato, citando o artigo 316.º do Código do Trabalho.

“A polícia verificou que não tinha havido violência, e que ninguém tinha destruído nada. Portanto, como ocupávamos o nosso local de trabalho e a polícia não estaria aqui para resolver um problema laboral, aconselhou a senhora a fazer uma comissão e chegámos a consenso entre a dona, a advogada, o membro da PSP e o Sindicato de Hotelaria do Norte, que também acompanhou este processo desde o primeiro minuto”, explica António Ferreira.

A PSP não expulsou os trabalhadores, mas ajudou à discussão de cerca de quatro horas que acabou por decidir a situação atual da Galiza. A gerência e o sindicato de hotelaria do Norte chegaram a um acordo que permite manter a casa aberta, estando a ser gerida temporariamente por três trabalhadores, até chegar uma solução definitiva.

Esta comissão é responsável apenas por manter a casa aberta e a servir os clientes: faz as compras, abre as portas. O resto não é da sua competência.

“As funções desta comissão são cuidar do património, tentar resolver toda a questão laboral, os problemas que possam surgir na orientação a todos os trabalhadores, e, também, fazer compras,  — que são pagas no imediato, uma vez que tudo o que aqui entra é pago no imediato”, explica António Ferreira, membro da comissão e delegado sindical. A comissão procura, assim “gerir da melhor maneira, com tudo documentado.”

“Há um acréscimo de funções para os trabalhadores, mas eles não têm poderes para decidir”, explica Nuno.

créditos: PEDRO SOARES BOTELHO / MADREMEDIA

O futuro

“Temos quase a certeza de que [a ideia] não é da cabeça dela”, diz António Ferreira. Ela é a patroa, Delfina Amaral. Não conseguem falar com ela; mesmo a advogada, comunica apenas por mensagens de telemóvel.

Segundo os trabalhadores, Delfina está cansada. “Uma senhora com 85 anos, que já cá não vinha há muito tempo, que por isso tinha cá pessoas a olhar por isto. Penso que está saturada: as dívidas vão-se acumulando, cada vez a saturação é maior e chegou a um ponto em que ela percebeu que realmente tinha de ceder isto, fosse da forma que fosse”, conta António.

“O problema foi que o fez da pior maneira, quando devia ter feito as coisas atempadamente e dentro daquilo que a lei prevê.”

Para os empregados, o processo não é conduzido pela mulher do antigo patrão: “as pessoas a quem ela iria passar o negócio fizeram o processo da pior forma, porque neste processo de fechar a casa, ela não está sozinha”, afirma António.

Esta segunda-feira há nova reunião no ministério do Trabalho. Não há esperanças de que a proprietária do espaço vá já apresentar os investidores que podem ser a chave, porém, na Galiza acredita-se que o segundo encontro mediado pelo governo possa resolver questões em aberto: a necessidade de reforçar o pessoal; a gestão da contabilidade; a reabertura às segundas-feiras; o pagamento das contas de luz, água e gás.

“A solução melhor seria alguém realmente pegar na casa”, acredita António. Há investidores em vista, em contacto com a advogada da empresa. António diz que não será oportuno revelar já quem são, mas o SAPO24 sabe que entre os trabalhadores se falam dos nomes dos proprietários de alguns restaurantes próximos da Galiza como possíveis compradores do negócio.

A gerência da Galiza disse que decorrem negociações e que procura apenas uma solução que garanta a dívida existente. No sindicato, acredita-se que com boa gestão o espaço pode ser capaz de chegar a uma faturação na ordem dos 150 mil euros por mês.

Outra alternativa pode ser o despedimento coletivo. Porém, não seria uma opção pacífica: “era um caso que teríamos de ver, poderia não ser aceite pela totalidade dos trabalhadores; seria aceite por alguns, mas não seria aceite por todos, era um processo que se teria de conduzir”, explica António, admitindo que “se calhar era uma das hipóteses.”

Até lá, aguentam: “Nós vamos tentar aguentar o máximo possível. Há uma reunião na segunda-feira no ministério do Trabalho, e pensamos — ou esperamos — que essa reunião seja mais conclusiva, porque começa a haver um desgaste muito grande, mas nós também sabemos que se calhar é disso que estão à espera: que a gente acabe por desistir pelo desgaste.”

Falta gente, mas não podem reforçar a equipa: “esse consultor tinha cá metido umas pessoas, e, no dia dos acontecimentos, essas pessoas deixaram de vir. Nós deduzimos que já saberiam do que se iria passar; era uma empregada de mesa e três funcionários de cozinha. Isso está-nos a criar algumas dificuldades. Como nós não podemos meter ninguém, vamos tentar ver como vamos resolver essa situação. Para já, tem sido só com o sacrifício das pessoas”, conta António.

Enquanto seguram a casa, sentem o apoio: “Têm vindo pessoas que vêm cá pela primeira vez, algumas que já não vinham há algum tempo, precisamente por causa da mudança do serviço, e que estão a voltar solidários connosco”, conta António Ferreira.

“Temos recebido inclusive telefonemas de pessoas de mais longe — o caso de Lisboa, Bragança e até do Algarve —, que são pessoas que se deslocam ao Porto uma vez por mês e que nos telefonam a dizer 'no dia X vou estar aí e quero ver a Galiza aberta’.”

Catarina Martins (Bloco de Esquerda), Jerónimo de Sousa (Partido Comunista), Jorge Nuno Pinto da Costa (FC Porto) ou Arménio Carlos (CGTP) são algumas das figuras que já marcaram presença na Galiza para dar apoio aos trabalhadores. O presidente da câmara, Rui Moreira, seria uma figura que os trabalhadores gostariam de ver por lá, mesmo que assumam que não deva ser provável.

Esta quinta-feira, os trabalhadores da Galiza pagaram uma fatura de cerca de 3.750 euros para evitar o corte da eletricidade. Na reunião de terça-feira, a advogada da empresa garantiu que a fatura estava paga — porém, os funcionários foram confrontados com a “ameaça de corte pelo fornecedor pelo não pagamento da fatura de setembro”, disse António Ferreira, desta vez à Lusa.

“Hoje recebemos outra carta, relativa ao gás, que não podemos abrir, mas que achamos ser também por atraso no pagamento”, acrescentou António Ferreira que, tendo em conta os valores médios pagos pela empresa para o fornecimento do gás, antecipa que se trata “de uma conta, também, elevada”.

“Hoje investimos cerca de dois mil euros na reposição do stock para durar até domingo, sendo que devido a isso o saldo ficou negativo”, esclareceu o também delegado sindical.

Assim confrontados com uma despesa que não contavam, os trabalhadores reforçam o apelo à comparência dos portuenses no estabelecimento, para “ajudar à luta”, disse o representante sindical. Há que “aguentar, pelo menos, até domingo na luta pelos postos de trabalho”.

A comuna da Galiza não existe — é tão-só um grupo de 31 pessoas que não quer perder o emprego. Para isso, montaram uma espécie de “anti-greve”, um protesto que, em vez de paralisar, mantém a casa aberta.

“Vamos aguentar o máximo possível, mas não lhe posso dizer em concreto até quando”, afirma António. É resistir.

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