O membro da comissão de ética em causa, José Cunha Pereira, que respondia aos deputados na comissão parlamentar de inquérito na qualidade de ex-diretor de supervisão do Banco de Portugal, disse que a comissão de ética "naturalmente que analisou e discutiu a situação" relativa à escusa de Carlos Costa, que pediu para não participar nas decisões do banco central sobre a auditoria à CGD por ter sido administrador no período analisado.

Questionado pela deputada do PSD Liliana Silva, que afirmou que o governador "não pediu qualquer parecer à comissão de ética" e perguntou se "não o deveria ter feito", José Cunha Pereira não negou.

"Quando não nos é pedido o parecer, no mínimo a comissão de ética analisa a situação, debate, já o fez em termos de discussão interna", admitiu, dizendo que não ia "avançar mais por razões que [os deputados] compreendem".

José Cunha Pereira complementou o seu raciocínio dizendo que se trata de "uma relação sigilosa" e que a informação não era sua "mas de três [pessoas], de um órgão".

"Não sei se já avancei demais, mas naturalmente que [a comissão de ética] analisou e discutiu a situação, e não é obrigada a transmitir o parecer".

Mais tarde, Liliana Silva disse que tinha "conhecimento de que o governador do Banco de Portugal pediu para ser ouvido pela comissão de ética, o que já aconteceu", e perguntou se havia "relatórios ou algum tipo de conclusão" que pudesse ser partilhada.

José Cunha Pereira disse que foi "objeto de discussão, que essa discussão será formalizada, a última reunião foi em 12 de abril", que a ata é "aprovada na reunião seguinte", e que não podia "avançar" mais informação.

O membro da comissão de ética afirmou ainda que também já foi discutida a situação da vice-governadora Elisa Ferreira, mulher de um ex-administrador da La Seda, empresa implicada no relatório da EY à CGD.

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