Segundo o sindicato, a "elevada carga horária" começou durante o estado de emergência decretado pela pandemia de covid-19, em que os trabalhadores foram requisitados para trabalhar mais horas, mas ainda prevalece, apesar da situação ter desanuviado.

"Infelizmente, por toda a região Norte ainda temos muitos abusos laborais nas instituições. Continua a haver uma tentativa de atropelar os direitos dos trabalhadores. Em alguns casos temos conseguido acabar com isso, mas outros ainda persistem", disse à agência Lusa Marisa Ribeiro, coordenadora do CESP.

A responsável da delegação regional do Porto, Vila Real a Bragança deste sindicato recordou que "a Direção-Geral da Saúde diz ser preciso agora retomar a normalidade", mas lembrou que há instituições, nomeadamente de apoio aos idosos, onde os funcionários "continuam confinados no local de trabalho 24 horas por dia, com jornadas de 14 dias consecutivos".

"Os trabalhadores, nas alturas cruciais, fizeram um grande esforço por amor aos utentes. Mas agora, que há condições para aliviar esse esforço que deram, continuam a ser explorados. Há limites, estas pessoas estiveram na linha de frente logo na fase inicial, e até foram rotulados de heróis, mas muitas instituições são olham para os interesses próprios", vincou Marisa Ribeiro.

A sindicalista fez hoje essas denuncias numa ação de protesto junto à Venerável Ordem Terceira de S. Francisco de Vila do Conde, uma instituição de solidariedade social que apoio sobretudo idosos, onde os trabalhadores se queixam dos horários que lhe estão a ser impostos.

"Estamos a trabalhar sete dias por semana, com turnos de 12 horas. Estamos exaustas, tanto a nível físico como psicológico, queremos retomar os horários normais, e já fizemos ver isso à instituição, [mas] insistem em manter este esquema", disse Rosa Festas, delegada sindical na instituição.

A sindicalista garante que o esforço que os trabalhadores têm feitos "é por amor que sentem pelos utentes", mas avisam que "com estes horários não dá mais para continuar".

"Chegamos ao nosso limite. Tentamos falar com a direção da instituição, mas não quiserem saber. Dizem que temos de continuar, mas não nos pagam as horas, não dão folgas nem férias. Estamos dispostas a tudo, inclusive parar de trabalhar nestas condições", vincou Rosa Festas.

A agência Lusa tentou obter uma reação por parte da administrativa da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco de Vila do Conde, mas a instituição não tinha, hoje, ninguém disponível para prestar esclarecimentos.

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