O Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior e o governo regional dos Açores anunciaram em comunicados que as nomeações de Chiara Manfletti, que "desempenhou até agora o cargo de assessora do Diretor-Geral da Agência Espacial Europeia (ESA), em Paris", e de Luis Santos foram formalizadas durante a primeira Assembleia Geral da Agência Espacial Portuguesa, nas instalações da 'Portugal Space' em Lisboa.

A assembleia-geral reuniu os quatro fundadores da 'Portugal Space' - a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), a Agência Nacional de Inovação (ANI), a Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional (DGRDN) e a Região Autónoma dos Açores através da Associação RAEGE Açores – Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais.

Chiara Manfletti, que tem dupla nacionalidade italiana e alemã, é graduada em engenharia aeronáutica pelo Imperial College de Londres, tem mestrado em estudos espaciais pela International Space University, de Estrasburgo, e é doutorada pela Universidade de Aachen, na Alemanha, tendo ainda uma licenciatura em História pela Open University do Reino Unido. Trabalhou na empresa francesa SNECMA, na Agência Espacial Alemã, DLR, tendo posteriormente ingressado na ESA em 2016.

De acordo com os comunicados do ministério e do governo açoriano, Chiara Manfletti "é a terceira mulher a presidir a uma agência espacial a nível mundial, depois de Pascale Ehrenfreund, que foi presidente da Agência Espacial Alemã entre 2015 e 2017, e de Megan Clark, que foi nomeada, em 2018, presidente da Agência Espacial Australiana, aquando da sua criação".

O vice-presidente da 'Portugal Space', Luís Santos, é licenciado em engenharia eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico, e era até agora coordenador da Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço, agora integrada na Agência Espacial Portuguesa.

A criação da Agência foi aprovada em 7 de março em Conselho de Ministros, resulta da parceria entre o Governos de Portugal e o governo regional dos Açores, com a colaboração da ESA e terá sede na ilha de Santa Maria, onde será construída uma base de lançamento de microssatélites, mas terá também instalações em Lisboa, no Palácio das Laranjeiras.

Segundo informação divulgada pelo Governo, a Portugal Space" (www.ptspace.pt) será "responsável por promover e executar a Estratégia Portugal Espaço 2030 e articular a gestão dos vários programas nacionais ligados ao Espaço, fomentando o investimento, a criação de emprego qualificado e a prestação de serviços ligados a ciências e tecnologias do Espaço", em "articulação com a Agência Espacial Europeia e com o processo de desenvolvimento do Centro Internacional de Investigação do Atlântico (AIR Centre)".

Tem também como "objetivo impulsionar o panorama espacial europeu através da cooperação internacional, nomeadamente ao nível da ESA e de outras agências espaciais europeias, tendo ainda a responsabilidade de implementar e promover o programa AZORES International Satellite launch Programme (AZORES ISLP), em parceria com a ESA".

Presidente da Portugal Space quer que espaço contribua para "bem-estar dos portugueses"

A presidente da agência espacial portuguesa Portugal Space, Chiara Manfletti, que assumirá funções na segunda-feira, pretende que o espaço contribua para o "bem-estar dos portugueses" e o "crescimento económico do país".

Esta é uma das prioridades que Chiara Manfletti definiu em declarações à agência Lusa, assinalando que Portugal "é um país muito ativo e dinâmico, com muitas atividades espaciais em desenvolvimento".

A presidente da agência espacial portuguesa, que começará "algumas das funções" na segunda-feira, quer também "construir pontes com países em todo o mundo".

"O espaço é uma parte fundamental da nossa vida diária e pode contribuir ainda mais para o bem-estar da sociedade e o crescimento económico", afirmou, sublinhando o seu papel em "desafios globais" como as alterações climáticas, as migrações ou a pobreza.

Segundo a engenheira aeronáutica ítalo-alemã, e até agora consultora do diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA), os "avanços tecnológicos espaciais contribuem para o avanço da sociedade".

Chiara Manfletti deu como exemplo a "riqueza de dados adquirida diariamente através de satélites em órbita" que pode ser explorada para "fornecer serviços" de que se necessita atualmente e outros "que ainda nem se imagina".

Em declarações em dezembro à Lusa, o ministro da Ciência, Manuel Heitor, disse que uma das missões da Portugal Space será promover "novas atividades e negócios" no setor espacial, em particular na observação da Terra com pequenos satélites, e "facilitar uma maior participação de Portugal nos programas europeus", da ESA e da União Europeia.

Manuel Heitor espera que a agência espacial potencie a meta nacional de, em 2030, haver mil novos empregos no setor e um investimento das empresas de 400 milhões de euros. Atualmente, a faturação das empresas portuguesas do setor aeroespacial ronda os 40 milhões de euros anuais.

Na ilha de Santa Maria será construído o já anunciado porto espacial para lançamento de microssatélites, uma iniciativa que partiu do Governo.

Espera-se que, de acordo com o calendário fixado, os primeiros lançamentos de pequenos satélites se iniciem na primavera ou no verão de 2021, depois de assinado o contrato para a construção e operacionalização da base com os consórcios 'vencedores'.

A agência espacial portuguesa, que terá a incumbência de coordenar, em articulação com o Governo Regional dos Açores, o programa de lançamento de pequenos satélites, é um dos pilares da estratégia nacional para o setor do espaço - "Portugal Espaço 2030".

(Notícia atualizada às 17h39)

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