Uma das primeiras a chegar à sede da Câmara municipal, que desde as 10:00 tem disponível um livro de condolências a catalã explicou à Lusa o que a motivou: "Não se pode fazer nada, mas pelo menos podemos dar as condolências e dizer o que sentimos".

Ali ao lado, Daniela, 47, aguardava, com a mão dada à filha de seis anos, o fim das cerimónias de inauguração do livro, presididas pela líder da autarquia e que contaram com a participação de representantes das várias instituições locais: governo autonómico, assembleia provincial, partidos, entre outros.

"Afetou-me muito o que se passou. Vemos na televisão quando se passa noutras cidades, mas quando acontece na nossa casa? É vivê-lo", disse.

A Câmara de Barcelona abriu hoje portas ao salão Cent, uma das salas nobres do edifício, para permitir aos cidadãos homenagear as vítimas dos atentados em Barcelona e Cambrils (Tarragona) e assinar um livro de condolências.

A sala abriu às 10:00 (11:00 em Lisboa) e ao início da tarde a autarquia, citado pelo jornal La Vanguardia, contabilizava em mais de um milhar o número de pessoas que já tinham passado por ali, a maioria catalães, mas também turistas.

Às 14:00 locais era visível uma longa fila que vinha desde o interior e se estendia ao longo de vários metros no exterior.

A sala permanecerá aberta até domingo às 20:00 (21:00 em Lisboa), enquanto dura o luto oficial decretado devido aos atentados de dia 17 e madrugada de dia 18.

Ao abrir hoje de manhã a sala ao púbico, a presidente do Câmara, Ada Calau, exprimiu também as suas próprias emoções: "Passaram horas, mas parecem dias".

Em declarações aos jornalistas após inaugurar o livro de condolências, a autarca recordou o "atentado terrível" de quinta-feira, em que uma furgoneta atropelou mortalmente 13 pessoas nas Ramblas de Barcelona e feriu mais de cem, mas garantiu que os terroristas não vão derrotar a cidade.

"Não vão conseguir derrotar-nos, a esta cidade aberta que ama a sua diversidade, que ama ser visitada por cidadãos de todo o mundo, que se mobilizou massivamente pela paz", afirmou.

Ao lado da presidente da Diputación, a assembleia da comunidade autónoma, Mercà Conesa, e da conselheira do governo regional da Catalunha, Meritxell Borras, a autarca garantiu: "Estamos mais unidos do que nunca".

Recordou o minuto de silêncio de sexta-feira na Praça da Catalunha, que reuniu dezenas de milhares de pessoas: "A cidadania deu uma lição de solidariedade", e disse que a cidade já começou a recuperar.

"Milhares e milhares de cidadãos recuperaram as ruas. Hoje, mais do que nunca, somos uma cidade que aposta no amor, nos cidadãos, no acolhimento e na vida", afirmou.

"Todos querem ajudar e mostrar este sentimento de solidariedade e, precisamente por isso, parece-nos importante abrir o principal salão da cidade a todos para poderem assinar, expressar os seus sentimentos", acrescentou a autarca.

Reportagem por Filipa Parreira, da agência Lusa

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