Só no primeiro período de greve dos enfermeiros em blocos operatórios, que decorreu entre meados de novembro e final de dezembro, foram canceladas ou adiadas mais de 7.500 cirurgias no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O número foi hoje avançado por Marta Temido na comissão parlamentar de Saúde, quando estava a ser ouvida pelos deputados sobre as contas do Ministério, a pedido do PSD.

Segundo a ministra, “todos os indicadores de atividade assistencial melhoraram” em 2018, mas a atividade cirúrgica teve uma redução de 0,5%.

Marta Temido destacou que isto ocorreu num ano “particularmente difícil”, significando menos cerca de cinco mil cirurgias.

“Em 2018, mesmo o indicador da atividade cirúrgica tem apenas uma contração de 0,5%, o que significa que, mesmo num ano particularmente difícil, aquilo que perdemos em termos de cirurgias é qualquer coisa como cinco mil cirurgias", afirmou aos deputados.

A ministra não aludiu diretamente à greve dos enfermeiros em blocos operatórios, mas no final de 2018, entre 22 de novembro e final de dezembro, os enfermeiros estiveram em greve às cirurgias programadas em cinco hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Segundo os dados do próprio Ministério da Saúde, a greve levou ao cancelamento ou adiamento de mais de 7.500 cirurgias naqueles cinco hospitais.

Depois de não terem chegado a consenso com o Governo nas negociações, os mesmos dois sindicatos dos enfermeiros que tinham convocado a primeira greve em blocos operatórios avançaram no final de janeiro para uma segunda “greve cirúrgica”, desta vez em sete hospitais.

A partir de sexta-feira há um novo pré-aviso de greve que alarga a paralisação a mais três centros hospitalares, fazendo com que a greve se estenda a um total de dez unidades até final deste mês.

Contudo, quer o Ministério da Saúde quer o primeiro-ministro já admitiram que o Governo poderá recorrer à greve civil para travar a greve de enfermeiros.

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