“O senhor presidente não tem condições de continuar o seu mandato”, disse o deputado municipal do PSD Rui Lami, na sessão ordinária da Assembleia Municipal desta sexta-feira, lembrando que os sociais-democratas já tinham alertado para a forma como os refugiados de guerra estavam a ser recebidos pelo município.

Na origem do pedido de demissão do presidente do município setubalense está a polémica relacionada com a receção de refugiados ucranianos por russos pró-Putin na Câmara Municipal de Setúbal, denunciada hoje pelo jornal Expresso.

O presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, Pavlo Sadoka, abriu as hostilidades contra a maioria CDU que lidera o município, com uma intervenção, no período reservado ao público, em que criticou a receção dos seus compatriotas por elementos russos, alegadamente com ligações ao regime de Vladimir Putin.

“É inaceitável que os refugiados que fogem da guerra, e que são tão bem recebidos por todos os portugueses, estejam a ser acolhidos por organizações ligadas à propaganda e à espionagem russa”, disse Pavlo Sadoka, referindo-se à Edintsvo, uma associação de emigrantes de Leste que colabora com a Câmara de Setúbal e que os ucranianos dizem ter ligações ao Kremlin.

Com alguma surpresa da assembleia, o dirigente ucraniano também considerou estranho que a autarquia tivesse a colaboração de cidadãos russos envolvidos na receção aos refugiados ucranianos, sem os ter questionado sobre a sua posição face à ocupação das Crimeia e à invasão de Donetsk e Lugansk.

Uma intervenção que motivou um esclarecimento imediato do presidente da Assembleia Municipal, Manuel Pisco, lembrando Pavlo Sadoka que, em Portugal, não se questionam as opções e preferências políticas dos colaboradores e funcionários.

O presidente da Câmara de Setúbal, André Martins, reafirmou na Assembleia Municipal que, até agora, “não há razão nenhuma em concreto para não acreditar que o acolhimento dos refugiados pela Câmara de Setúbal está a ser feito de acordo com os protocolos existentes e com toda a solidariedade.

“Não temos razão nenhuma para identificar essa associação (Edintsvo) com algumas das informações que têm circulado. Mas tomámos medidas no sentido de afastar uma trabalhadora da Câmara Municipal que estava associada a estes serviços de receção aos refugiados, para que a própria trabalhadora não seja molestada”, disse o autarca setubalense.

André Martins adiantou ainda que a Câmara municipal enviou hoje um ofício ao ministro da Administração Interna, a solicitar “que proceda às averiguações que bem entender”, tendo em vista o esclarecimento dos factos relacionados com o acolhimento a refugiados ucranianos no município sadino.

Segundo revelou hoje o jornal Expresso, mais de 160 refugiados ucranianos já terão sido recebidos por Igor Khashin, antigo presidente da Casa da Rússia e do Conselho de Coordenação dos Compatriotas Russos, e pela mulher, Yulia Khashin, funcionária do município setubalense.

De acordo com o Expresso, Igor Khashin, também líder da Associação dos Emigrantes de Leste (Edintsvo), subsidiada desde 2005 até março passado pela Câmara de Setúbal, e a mulher terão, alegadamente, fotocopiado documentos de identificação dos refugiados ucranianos, no âmbito da Linha de Apoio aos Refugiados.

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