Peter Thomson disse que o corrente ano terá vários momentos que serão marcos decisivos para o futuro dos Oceanos, mas o ponto alto será a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, marcada para entre 27 junho e 01 de julho em Lisboa, considerando que será o “momento crucial do ano para mobilizar esforços colaborativos para travar o declínio da saúde dos oceanos”.

A que será a segunda conferência mundial da ONU sobre os oceanos (a primeira realizou-se em 2017 em Nova Iorque) é organizada conjuntamente por Portugal e pelo Quénia e, segundo dados da ONU, são esperadas cerca de mil entidades não governamentais, para além de representações dos 192 países-membros das Nações Unidas.

“Na sua sabedoria coletiva, os Estados da ONU pediram que a Conferência amplie a ação oceânica com base na ciência e inovação, em parceria, fornecendo soluções para os problemas de poluição, destruição de habitats, pesca excessiva e efeitos negativos das emissões de gases de efeito estufa”, afirmou Peter Thomson.

O enviado especial da ONU para os oceanos apontou também como momentos definidores da atuação da comunidade internacional sobre os oceanos a Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, na Suíça, que será uma “grande oportunidade para a abolição dos subsídios prejudiciais à pesca” e a Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP 15), que decorrerá em Kunming, na China, e que poderá resultar na adoção de uma maior proteção global, na medida em que “não pode haver um planeta saudável, sem um oceano saudável e a saúde deste último está em declínio mensurável”.

Com a grande maioria do Oceano ainda por mapear e explorar, “o apelo da Conferência para soluções inovadoras e baseadas na ciência é particularmente pertinente”, disse Peter Thomson na entrevista à Lusa.

Na prática, segundo o embaixador, na Conferência dos Oceanos em Lisboa os países adotarão uma Declaração, que está a ser negociada nas Nações Unidas, sobre a aplicação de medidas de conservação e uso sustentável dos recursos oceânicos.

Em curso está já um apelo para que governos, empresas e sociedade civil registem compromissos voluntários no ‘site’ da conferência https://www.un.org/en/conferences/ocean2022 para demonstrar o empenho em soluções e parcerias inovadoras que envolvam os Oceanos.

Peter Thomson defendeu que a Conferência do Oceanos em Lisboa deve exigir investimentos concretos em soluções baseadas na ciência, envolvendo tecnologia sustentável e usos inovadores de recursos marinhos para responder aos desafios que os oceanos enfrentam, como a “alarmante perda de biodiversidade”.

“Devemos desenvolver soluções baseadas na natureza, incluindo a restauração de ecossistemas de mangal, pântanos salgados e pradarias marinhas, todos com importantes propriedades de mitigação das alterações climáticas”, afirmou.

Questionado sobre o que é que países de pequenas dimensões, como Portugal, podem fazer em prol dos oceanos, Peter Thomson realçou que “o Governo português já fez um bom trabalho nas questões oceânicas” ao, por exemplo, ser co-anfitrião da Conferência em junho, mas frisou que todos os cidadãos, independentemente da dimensão dos seus países, têm um papel importante nas questões ambientais.

“O mundo espera em Lisboa um momento vibrante e significativo na luta pela saúde dos oceanos. É uma questão de justiça intergeracional. Todos os que se preocupam com seus filhos devem preocupar-se com os oceanos, a grande mãe da biodiversidade, e isso inclui-nos a todos”, concluiu.

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