A “possível extradição” do fundador da Wikileaks, atualmente detido no Reino Unido, “tem implicações em termos de direitos humanos que ultrapassam largamento o seu caso individual”, considerou Mijatovic num comunicado.

“As acusações gerais e vagas contra (ele) e os crimes mencionados na acusação são perturbadores na medida em que muitos deles dizem respeito a atividades que estão no centro do jornalismo de investigação”, insistiu a comissária.

Autorizar a extradição de Julian Assange nessa base teria “um efeito paralisador na liberdade de imprensa” e poderia “impedir” os meios de comunicação social “de cumprirem a sua tarefa de fornecedores de informação” e de “salvaguarda nas sociedades democráticas”, segundo Mijatovic.

A comissária lembrou ainda que o relator especial da ONU sobre a tortura, Nils Melzner, considerou que na hipótese de uma extradição “tanto as condições de detenção nos Estados Unidos como a pena que lhe poderá ser imposta” pela justiça norte-americana representam um risco de tortura ou de tratamento desumano ou degradante.

Julian Assange “não deve ser extraditado”, afirmou Mijatovic, assegurando que vai continuar a “acompanhar de perto” a situação do ativista australiano, detido em Belmarsh, no sul de Londres, desde a sua detenção em abril de 2019 na embaixada do Equador, onde esteve confinado cerca de 10 anos.

A extradição de Julian Assange, 48 anos, foi pedida pelos Estados Unidos por 18 presumíveis delitos de espionagem e conspiração por cometer ingerência informática, arriscando 175 anos de prisão caso seja considerado culpado.

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