Sandra Fernandes, de 40 anos, que veio de Águeda com o seu filho de 15 meses, para uma consulta de pediatria, desconhecia que havia uma greve em curso.

"Está mal feito, porque deviam ao menos de ligar para as pessoas a avisar que havia greve. É um transtorno, porque já não vou trabalhar na parte da manhã e o garoto já não vai para a creche", contou.

Já Maria La Salette de 78 anos, da Gafanha da Nazaré, diz que tinha conhecimento da greve dos médicos, mas mesmo assim decidiu ir ao hospital para remarcar a consulta de anestesiologia.

Apesar do transtorno para os utentes, reconhece o direito à greve por parte destes profissionais. "Acho que eles também têm direito, assim como nós tínhamos", disse.

Opinião diferente tem Emílio Ribeiro, de 73 anos, que também viu a sua consulta de urologia adiada por falta de médico.

"Há profissões que não deviam fazer greve, porque isto causa muitos transtornos. Se fosse um familiar do médico ele queria que fosse atendido", disse.

Melhor sorte teve Carlos Tavares, de 79 anos, de Albergaria-a-Velha, que acompanhou a esposa para uma consulta de hematologia.

"Telefonei para cá e acabaram por me informar que podia vir, porque o doutor estava cá", disse.

Os médicos de todo o país iniciaram à meia-noite um dia de greve nacional, que se segue a greves regionais nas últimas semanas.

A greve foi convocada pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que se dizem "empurrados para o mais forte grito de protesto", depois de um ano de "reuniões infrutíferas no Ministério da Saúde".

Os sindicatos pretendem uma redução das listas de utentes por médicos de família e uma redução de 18 para 12 horas semanais no serviço de urgência.

É ainda reclamada uma reformulação dos incentivos à fixação em zonas carenciadas, uma revisão da carreira médica e respetivas grelhas salariais e a diminuição da idade da reforma para os médicos, entre outras medidas.

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