Numa ação de campanha intitulada “Encontro com ciência”, que decorreu hoje no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, António Costa foi interpelado por um investigador universitário segundo o qual, apesar de ter havido um crescimento no investimento na ciência, existe hoje uma “situação um bocado paradoxal” porque há “menos investimento por investigador do que há 20 anos”.

Na resposta, o líder socialista realçou que “a boa parte do problema” é que houve um aumento muito significativo do número de investigadores e referiu que, no ano passado, Portugal atingiu “um valor médio equivalente ao da Alemanha no número de investigadores por 10 mil habitantes”.

“De facto, o crescimento do investimento não acompanhou este crescimento dos recursos humanos”, reconheceu.

Nesse sentido, o também primeiro-ministro sublinhou que, tanto o objetivo fixado em 2018 de ter 3% do PIB alocado à investigação e ao desenvolvimento, como a resolução aprovada em dezembro de 2021 em Conselho de Ministros que estabelece um roteiro para avaliar a evolução rumo a esse objetivo, são “muito importantes” para se conseguir “reforçar significativamente essa capacidade de investimento”.

Costa sublinhou que o crescimento no investimento em ciência tem vindo sobretudo das empresas e “do setor privado”, algo que considerou “muito positivo” e “muito relevante porque esse crescimento do investimento através das empresas é aquele que mais assegura que vai haver cada vez maior absorção” e “maior envolvimento da economia no investimento em ciência”.

“Nós já temos neste momento 4.300 empresas a investir em investigação e desenvolvimento. Só de 2019 para 2020, tivemos um aumento de 14% do número de empresas que estão a fazer esse crescimento desse investimento, e esse investimento, que ao longo destes seis anos cresceu em empresas 78%, dá-nos bastante confiança de que é possível conseguirmos efetivamente reforçar esse investimento”, frisou.

No entanto, além do investimento privado e dos programas nacionais para fortalecer o investimento em ciência, António Costa sublinhou que há “outro objetivo” que o país tem de ter: ser capaz “de ir buscar recursos aos programas de financiamento centralizado da Comissão Europeia”.

No que se refere a este aspeto, o secretário-geral do PS frisou que “o que aconteceu nos últimos sete anos é exemplar”, tendo-se registado, pela primeira vez, “um balanço positivo entre a contribuição nacional” para o programa europeu de financiamento à investigação e inovação Horizonte Europa, e o que se conseguiu captar desse mesmo programa.

“Acho que o objetivo que temos que ter para os próximos sete anos é alargar ainda mais, sendo que é um objetivo realista, porque o recurso fundamental que faltava é aquele que já alcançámos, que é precisamente os recursos humanos”, frisou.

O líder do PS sustentou que “o dinheiro, de uma forma ou de outra, é possível encontrar-se”, enquanto os recursos “humanos levam uma geração a serem formados”.

“E como não temos uma geração para formar esses recursos humanos, é muito bom que já tenhamos resolvido essa parte da equação, falta-nos a outra parte da equação. Mas é precisamente essa base de recursos humanos que nos permite a todos ter confiança que é possível alcançar estes objetivos”, disse.

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