À chegada a uma cimeira informal de chefes de Estado e de Governo da UE em Versalhes, França, dominada pela agressão militar russa à Ucrânia e a resposta do bloco europeu, e numa altura em que alguns Estados-membros defendem um procedimento rápido para a adesão da Ucrânia — já formalmente solicitada por Kiev, em 28 de fevereiro -, Costa disse que há várias outras possibilidades de apoiar o país e dar confiança aos ucranianos que não através de um processo “necessariamente demorado, necessariamente incerto”.

“Nós sabemos por experiência própria: apresentámos o pedido de adesão em (19)77, entrámos em (19)86. […] Não sei se ainda se lembram que até nós ouvimos aquela canção do «queremos ver Portugal na CEE», porque a certa altura já era mesmo um tema de humor. São processos sempre muito longos”, disse o chefe de Governo, recordando que “há países que estão há anos, e anos e anos a negociar e ainda não conseguiram a adesão”.

Segundo António Costa, “o que a Ucrânia hoje precisa é de uma resposta urgente e efetiva”, e cabe aos 27 serem “imaginativos, dar uma resposta que seja concreta, rápida e que produza o efeito essencial, que é apoiar a reconstrução da Ucrânia, dar confiança aos ucranianos no futuro do seu desenvolvimento económico”.

“E entre a adesão e o acordo de associação que já existe, há várias hipóteses onde é preciso ser imaginativo e saber trabalhar, para que a resposta seja efetiva, rápida, urgente, e não seja algo que se estenda no tempo”, sustentou, apontando também que “é claro que não” há procedimentos rápidos de adesão contemplados nos Tratados.

A Eslováquia, vizinha da Ucrânia, anunciou hoje que vai propor na cimeira informal de Versalhes um roteiro para que este país possa aderir ao bloco comunitário em cinco anos.

O objetivo é que a Ucrânia “alcance a harmonização total da sua legislação e das suas instituições no prazo de cinco anos, para que possa funcionar como um Estado-membro”, refere um comunicado do governo eslovaco.

Os chefes de Estado e de Governo da UE iniciam hoje em Versalhes uma cimeira de dois dias originalmente consagrada à economia, mas que se focará agora na defesa e energia, por força da ofensiva russa na Ucrânia.

Agendada há muito pela atual presidência francesa do Conselho da UE, esta cimeira era dedicada integralmente ao “novo modelo europeu de crescimento e investimento”, mas a invasão da Ucrânia pela Rússia, há duas semanas, e as consequências do conflito militar para o bloco europeu impuseram inevitavelmente alterações na ordem de trabalhos do encontro, que já não será exclusivamente de cariz económico.

Os líderes dos 27, entre os quais o primeiro-ministro António Costa, vão designadamente discutir, no histórico Palácio de Versalhes, formas de reduzir a dependência europeia do petróleo e do gás russo e como lidar com o aumento dos preços da energia.

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