“Em circunstância alguma em 2024, quando quer que seja, eu estarei disponível para ser presidente da Comissão Europeia”, afirmou numa entrevista promovida pelo Clube de Jornalistas, em parceria com a agência Lusa e a Escola Superior de Comunicação Social, no âmbito dos 50 anos das comemorações do 25 de Abril e dos 40 anos do clube.

Costa justificou que "quem está em funções executivas desde 1995 não vai iniciar um novo ciclo de mais cinco anos em 2024", referindo ter "muitos colegas" que "estão em excelentes condições de poder exercer essas funções".

Em relação a outros cargos europeus, António Costa considerou que “poderia haver essa possibilidade” mas “não há”, salientando que onde se sente “útil neste momento e até outubro de 2026 é aqui em Portugal", pelo que não está "disponível" para a Europa.

Nesta entrevista, com cinco jornalistas de cinco diferentes gerações (Henrique Garcia, Luísa Meireles, Ana Sá Lopes, Rita Tavares e Filipe Santa-Bárbara), que foi conduzida por Maria Elisa Domingues, o chefe de Governo recusou que vá manter-se no cargo porque "tem de ficar" mas sim porque quer ficar e disse não estar "a fazer nenhum sacrifício" nem "um favor a ninguém", até porque já teve "uma hipótese de não ficar".

"Não me teria apresentado a estas eleições. Se eu não quisesse ficar, continuar a ser primeiro-ministro, quando o Governo caiu tinha tido uma boa oportunidade para mudar de vida, para dar oportunidade a outro, e entendi que, pelo contrário, devia ir à luta, devia ir à guerra e disse aliás muito claramente aos portugueses ao que vinha, pedi uma maioria estável para governar até ao fim, até 2026", declarou.

E justificou que "quando disse aos portugueses que o país precisava de estabilidade, precisava de um Governo que governasse os próximos quatro anos e seis meses para executar uma política, sabia o que é que estava a pedir".

"A opção está feita e eu estou muito satisfeito, reconhecido e grato aos portugueses", apontou o primeiro-ministro, afirmando estar "completamente à vontade" com o tema, perante a insistência dos jornalistas.

António Costa disse estar reconhecido aos portugueses "pela confiança" nas eleições legislativas de 30 de janeiro, que o PS venceu com maioria absoluta, e também "muito honrado" por lhe ser "atribuída uma legitimidade que até agora nunca tinha sido atribuída a nenhum primeiro-ministro", que é "ter um mandato pessoal e direto dos eleitores para governar um ciclo completo".

"A nível nacional só o Presidente da República é que tinha habitualmente essa legitimidade", salientou.

Questionado sobre a possibilidade de ser pressionado pelos outros líderes europeus em 2024 e se vai recusar, António Costa defendeu que "esse cenário não se coloca".

Costa considerou também que quando Durão Barroso deixou o cargo de primeiro-ministro para assumir a presidência da Comissão Europeia "fez bem e foi útil a Portugal".

A questão de uma eventual saída do primeiro-ministro do Governo antes do final do mandato foi levantada pelo Presidente da República na tomada de posse do XXIII Governo Constitucional, tendo Marcelo Rebelo de Sousa alertado que será difícil a sua substituição a meio da legislatura, defendendo que os portugueses "deram a maioria absoluta a um partido, mas também a um homem".

No dia seguinte, o chefe de Estado recusou ter feito um ultimato e afirmou não ter indicação de que António Costa pensa deixar o cargo de primeiro-ministro a meio da legislatura.

(Notícia atualizada às 20h16)

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