Os números foram avançados pelo embaixador de Portugal em Cabo Verde, António Albuquerque Moniz, que esteve hoje no aeroporto internacional da Praia, ilha de Santiago (sul do arquipélago), onde embarcaram cerca de 150 passageiros, essencialmente de nacionalidade portuguesa, juntando-se a outros 50 que entraram antes na ilha de São Vicente (norte).

Em declarações aos jornalistas, o diplomata explicou que a seleção dos passageiros que viajaram neste voo, organizado com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, foi feita com base nos pedidos de repatriamento recebidos na secção consular portuguesa da Praia.

“As pessoas têm que pagar, embora o valor seja bastante razoável. Ainda agora estive a ver aqui um voo que vai ser organizado por outro país europeu e posso dizer que custa três vezes mais caro [do que o de hoje]. No fundo, são as despesas de mandar cá o avião, as despesas relacionadas com a operacionalização do voo, 388 euros, foi esse o valor que nos foi dado pela TAP”, disse o embaixador António Albuquerque Moniz.

Acrescentou que neste “voo de repatriamento”, que deverá chegar a Lisboa por volta das 19:00, a prioridade foi dada a pessoas com crianças e a idosos, por pertencerem a grupos de risco, e que foram incluídos passageiros com voos anteriores, cancelados.

Além deste voo da TAP, o primeiro autorizado pelo Governo de Cabo Verde nas últimas semanas, está previsto outro, para 5 de maio, neste caso com destino ao Luxemburgo.

Desde 19 de março que Cabo Verde está fechado a voos do exterior, por decisão do Governo, para conter a pandemia de covid-19, prevendo apenas a autorização para voos de repatriamento.

As ilhas de Santiago (Praia) e da Boa Vista, que concentram 162 dos 165 casos de covid-19 em todo o país, entraram hoje no terceiro período de estado de emergência, que se prolonga até às 24:00 de 14 de maio, decretado pelo Presidente da República.

Para já, o embaixador de Portugal em Cabo Verde não se compromete com novos voos de repatriamento, apontando mesmo que a TAP perspetiva retomar as ligações à Praia a partir de 18 de maio – ainda dependente da decisão do Governo cabo-verdiano de levantar a interdição a voos internacionais –, numa altura em que a Praia está em fase de transmissão comunitária da doença, presente em 20 bairros da capital, com mais de cem casos.

“A TAP já está a prever voos a partir do dia 18 [de maio] daqui da Praia, não faz sentido estarmos agora a organizar outro voo, quando não temos pessoas suficientes. Porque agora, com este voo, quase toda a gente da Praia e de São Vicente sairá”, garantiu.

O português Paulo Fernando foi apanhado em Cabo Verde pela pandemia, juntamente com um colega de trabalho, num serviço pontual para a empresa pública cabo-verdiana Electra. O trabalho, na ilha do Fogo, acabou no dia 30 de março e os dois portugueses aguardaram até agora pelo regresso a Lisboa, preocupados com o evoluir da doença na Praia.

“A nado não dava para ir. Eu vou para lá com as condições que tinha aqui, que é ficar em confinamento”, justificou Paulo Fernando.

Na mesma situação, José Fernandes segue agora de mala na mão no aeroporto da Praia. Não teve vaga nos voos de repatriamento anteriores, também operados pela TAP. Com alívio, vai agora reencontrar a família em Portugal: “Tenho a minha vida lá, está lá a família. Tenho de ir”.

Cabo Verde contabiliza, desde 19 de março, 165 casos de convid-19, dos quais 18 considerados entretanto como recuperados, e dois óbitos.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 243 mil mortos e infetou cerca de 3,4 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de um milhão de doentes foram considerados curados.

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