Portugal regista hoje 246 mortes associadas à covid-19, mais 37 do que na quinta-feira, e 9.886 infetados (mais 852), segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde, e Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, falaram hoje em Lisboa, para atualizar os dados na habitual conferência de imprensa.

Entre o primeiro dia de março e o primeiro de abril, foram processadas cerca de 86 mil amostras para averiguar a presença do novo coronavírus, SARS-CoV-2, anunciou Lacerda Sales. Só no dia 1 de abril foram processadas 7.900 amostras, disse o secretário de Estado da Saúde, sublinhando o aumento da capacidade de testagem e as tentativas de diminuir o tempo de resposta.

Lacerda Sales garantiu ainda que o executivo está a tentar “melhorar o tempo de resposta dos laboratórios convencionados”.
O secretário de estado da Saúde lembrou que abril é “o mês mais crítico da pandemia” e por isso voltou a reforçar a importância do isolamento social: “Não podemos vacilar. Não podemos baixar a única defesa que temos no combate à epidemia que é a contenção social”, sublinhou.

Confrontada com criticas do presidente do Conselho de Escolas Médicas Portuguesas sobre a falta de diretivas para a utilização generalizada de máscaras de proteção, que alega que o argumento da DGS de as máscaras não serem eficazes é falso e que é uma desculpa porque não há suficientes, a diretora-geral da Saúde sublinhou que Portugal segue as recomendações da Organização Mundial de Saúde e do Centro Europeu de Controlo de Doenças.

“Sabemos inequivocamente até à data que não há uma única medida que seja completamente eficaz. Ou seja, é apenas no conjunto de medidas que conseguimos aplanar a curva e baixar o número de casos em cada semana. Nenhuma medida isolada daquelas que possamos tomar é a medida milagrosa”, disse a diretora-geral da Saúde.

“Portugal está alinhado com as recomendações da OMS, do Centro Europeu de Controlo de Doenças e com a literatura médica e eu sempre disse que se houver evidências (provas) científicas novas, faríamos de acordo com as mesmas”, afirmou. Contudo, “nenhuma medida isolada é a medida milagrosa. Usar uma máscara, se vier a ser recomendado internacionalmente, nós obviamente seguiremos, mas não nos vai impedir do distanciamento social”.

O secretário de estado da Saúde anunciou hoje que vão chegar a Portugal 24 milhões de máscaras cirúrgicas durante deste mês, além da produção de 100 empresas portuguesas dispostas a produzir material necessário ao combate à pandemia de covid-19.

“Está prevista a chegada faseada de 24 milhões de máscaras cirúrgicas até final de abril e de 1,8 milhões de máscaras PPF2 até ao final de maio”, disse António Lacerda Sales.

O secretário de Estado adiantou que neste momento a aquisição de equipamento de proteção individual faz-se através do mercado externo, mas o país começa já a contar também com produção interna.

“A indústria nacional tem mostrado disponibilidade para adaptar a sua capacidade produtiva para equipar o sistema de saúde”, sublinhou Lacerda Sales, saudando a "capacidade de transformação das empresas em cenário de crise”, que está a conseguir manter os empregos e “ao mesmo tempo ajudar o Serviço Nacional de Saúde e todos os trabalhadores que neste momento estão na linha da frente do combate à covid-19”.

Para dar resposta às necessidades que surgiram com a pandemia provocada pelo novo coronavírus, os ministérios da Saúde e da Economia criaram um catálogo com as orientações técnicas para colocação no mercado dos equipamentos.

O secretário de Estado explicou hoje que estes equipamentos “não necessitam de marcação CE, mas têm de garantir as normas de segurança” que são sempre validadas a fiscalizadas pelo Infarmed e pela ASAE.

O catálogo já está disponível online e as empresas podem inscrever-se para produzir material como luvas, mascaras, zaragatoas, batas, “entre outros equipamentos”, explicou.

Segundo o secretário de Estado, neste momento estão inscritas 100 empresas, que ainda aguardam validação das autoridades competentes.

“Esta parceria é crucial para garantir que são dadas as respostas corretas com garantia de segurança às necessidades mais prementes”, disse.

Portugal iniciou às 00:00 de hoje a renovação do estado de emergência devido à pandemia de covid-19 por mais 15 dias, até 17 de abril, abrangendo o período da Páscoa.

No âmbito da renovação do estado de emergência, decretado pelo presidente da República, está limitada a circulação de pessoas, sendo proibidas deslocações para fora do concelho de residência no período da Páscoa, entre as 0:00 do dia 9 até e 13 de abril, salvo por motivos de saúde ou por outros motivos de urgência imperiosa.

O estado de emergência vigora em Portugal desde o dia 19 de março e, de acordo com a Constituição, não pode ter duração superior a 15 dias, sem prejuízo de eventuais renovações com o mesmo limite temporal

Além da medida de confinamento dos cidadãos aos seus concelhos de residência, o Governo proíbe ajuntamentos de mais do que cinco pessoas, exceto pessoas com laços familiares.

Portugal vai ainda encerrar ao tráfego de passageiros todos os aeroportos no período da Páscoa, entre os dias 9 e 13 deste mês, exceção feita aos voos de Estado, de carga ou humanitários.

Grávidas com testes. Caso haja infeção, os pais só assistem se a equipa médica concordar

Apesar de a gravidez ter de continuar a ser acompanhada, as consultas presencias só devem ocorrer quando necessário: “uma coisa é a gravidez ao longo do seu percurso. Aí as pessoas estão a ser acompanhadas de acordo com aquilo que é considerado a melhor prática de obstetrícia. Presencial sempre que for necessário e à distância sempre que possível", disse a diretora-geral da Saúde.

"Diferente é na altura em que vai ocorrer o parto ou no final da gravidez, onde deve ser feito um teste."

Graça Freitas explicou ainda que, caso a mãe esteja infetada com o novo coronavírus, a decisão de o pai assistir ao parto cabe à  equipa médica. Feito o teste, "se a mulher for positiva, será a equipa médica a decidir se o pai poderá assistir [ao parto]. O que não queremos é uma criança com ambos os pais positivos", afirmou Graça Freitas.

Muitos dos doentes que morreram tinham doenças associadas

Graça Freitas, na conferência de imprensa diária no Ministério de Saúde, em Lisboa, adiantou também que, “entre a data do início de sintomas e a data do óbito, em média, decorreram oito dias”.

Segundo a diretora-geral da Saúde, também já é possível traçar uma mediana em relação aos doentes que morreram com covid-19, nas mulheres a média é de 85 anos e nos homens é de 80 anos.

“A maior parte destas pessoas [que morreram] além do fator idade tem várias doenças e habitualmente têm mais do que uma doença. A maior parte delas têm três doenças”, acrescentou.

Entre as doenças mais comuns nas pessoas que morreram infetadas com o novo coronavírus constatou-se as do aparelho cardiocirculatório, doenças respiratórias, a diabetes, doença renal crónica, neoplasias e as doenças cerebrovasculares em geral.

Graça Freitas sublinhou também que a taxa de letalidade entre os idosos situa-se abaixo nos 10%.

“Não é nenhuma fatalidade ser idoso e ter alguma destas doenças, significa apenas um aumento do risco”, frisou.

Em relação às medidas a aplicar aos lares de idosos para combater o contágio do novo coronavírus, a diretora-geral da Saúde disse que têm decorrido “imensas reuniões entre o setor da saúde da segurança social” e que têm sido dadas muitas indicações aos profissionais e que “a situação está desde o início priorizada”.

“A nossa grande preocupação é, ao mínimo sintoma, entre idosos, funcionários ou profissionais,isolar, isolar, isolar, testar testar, testar e separar populações que estão positivas por covid-19 das negativas”, referiu Graça Freitas.

Segundo o boletim epidemiológico de hoje da DGS, morreram com covid-19 até ao momento 83 homens e 73 mulheres com mais de 80 anos e 35 homens e 23 mulheres na faixa etária dos 70 aos 79 anos.

Por sua vez, o secretário de Estado da Saúde admitiu que tem havido algumas dificuldades na marcação de testes à covid-19 nos laboratórios convencionados, mas o assunto está em resolução.

“Hoje está a decorrer uma reunião entre o Instituto Nacional Ricardo Jorge e a Associação Nacional de Laboratórios para melhorar a questão dos agendamentos dos testes”, disse António Lacerda Sales.

O governante garantiu que uma das prioridades continua a ser o aumento da testagem e deteção de casos de infeção, indicando que, “entre 1 de março e 1 de abril, foram processadas cerca de 86 mil amostras para covid-19”.

Formação de médicos e enfermeiros

Na ronda de questões dos jornalistas, Lacerda Sales disse que a formação dos profissionais de saúde — para coisas como a entubagem, por exemplo — "está a ser feita junto dos profissionais de saúde". "Estamos a aproveitar todos os profissionais de saúde, a maioria dos quais tem ou já teve experiência nas unidades de cuidados intensivos", explicou.

"É evidente que há especialidades que devem ser priorizadas", disse. "Essa formação está a ser dada e  estamos a aproveitar todos os recursos que temos disponíveis com estas competências".

Quase 54 mil mortos em todo o mundo

A pandemia de covid-19 matou quase 54 mil pessoas em todo o mundo desde que a doença surgiu em dezembro na China, segundo um balanço da AFP às 11:00, a partir de dados oficiais.

De acordo com a agência de notícias francesa, morreram 53.693 pessoas, foram diagnosticados mais de 1.035.380 casos de infeção pelo novo coronavírus, que provoca a doença covid-19.

Foram consideradas curadas pelo menos 201.500 pessoas.

Itália, que registou a primeira morte ligada ao coronavírus no final de fevereiro, é o país mais afetado em número de mortes, com 13.915 mortes em 115.242 casos. 18.278 pessoas foram consideradas curadas pelas autoridades italianas.

Depois de Itália, os países mais afetados são Espanha, com 10.935 mortes, em 117.710 casos, os Estados Unidos com 6.058 mortes (245.573 casos), França com 5.387 mortes (73.743 casos) e a China continental com 3.322 mortes (81.620 casos).

A China (sem os territórios de Hong Kong e Macau), onde a epidemia começou no final de dezembro, contabilizou 81.620 casos (31 novos entre quinta e hoje), incluindo 3.322 mortes (quatro novas) e 76.571 curados.

Também os Estados Unidos estão a ser bastante afetados pela pandemia tendo sido registadas oficialmente 245.573 infeções, incluindo 6.058 mortes e 9.228 curados

Desde as 19:00 de quinta-feira, a Líbia, Quirguistão, Ilhas Marianas do Norte e Letónia anunciaram as primeiras mortes ligadas ao vírus.

A Europa totalizou até às 11:00 de hoje 38.974 mortes para 559.459 casos, os Estados Unidos e o Canadá 6.192 mortes (256.641 casos), Ásia 4.071 mortes (114.053 casos), Médio Oriente 3.446 mortes (67.045 casos), América Latina e Caraíbas 691 mortes (24.959 casos), África 287 mortes (7.002 casos) e Oceânia 32 mortes (6.227 casos).

A AFP alerta que o número de casos diagnosticados reflete apenas uma fração do número real de infeções, já que um grande número de países está agora a testar apenas os casos que requerem atendimento hospitalar.

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