Em declarações aos jornalistas no final de mais uma reunião com especialistas para avaliar a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, o deputado Moisés Ferreira (BE) afirmou que “neste momento parece evidente, aliás os especialistas comprovaram na reunião, que são necessárias medidas concretas, específicas para lidar com determinados surtos”.

Indicando que “tem havido um aumento de casos em Lisboa e Vale do Tejo” que “não se explica unicamente com o aumento da testagem”, o bloquista alertou que “existe mesmo um aumento de contágio”.

“Transportes sobrelotados, falta de condições de trabalho e falta de condições de habitação não podem ser desligadas da evolução da pandemia em Lisboa”, salientou Moisés Ferreira, advogando que estas são “áreas onde o Governo deve atuar decididamente”.

Apontando que “os especialistas em saúde pública dizem que a principal causa [para o aumento dos casos de covid-19] é a coabitação, a segunda é o contexto laboral e só depois vem contexto social”, o deputado defendeu que “não basta limitar alguns ajuntamentos na via pública se não forem atacadas estas mesmas causas”.

Entre as “respostas concretas” que pediu está uma “política de alojamento e realojamento quando é necessário” ou o aumento das “condições e segurança no local de trabalho”.

No final do encontro, que decorreu no Infarmed, em Lisboa, o presidente do CDS-PP pediu ao Governo “que não tente encontrar explicações implausíveis para a realidade, que é grave” e assinalou que a situação na região de Lisboa “pode representar o início de uma segunda vaga”.

“Eu e o CDS não vamos torturar números para dizer o que queremos que eles digam”, afirmou, vincado estar “a interpretar a realidade estatística” que é “objetiva”.

De seguida, Francisco Rodrigues dos Santos pediu ao Governo “clareza, coerência”, e “que não sejam permitidos sinais contraditórios”.

“O CDS entende que nesta altura temos todos de adotar comportamentos preventivos, que os doentes sejam isolados, que o Governo tenha uma mensagem cristalina e que não gere dúvidas”, acrescentou, pedindo “uniformização na aplicação de critérios”.

Na ótica do líder centrista, “parece que se encontrou um bode expiatório” para explicar o aumento dos casos, falando em “comportamentos inconscientes” por parte de jovens.

“É ilegal um jovem agrupar-se para beber uma cerveja mas já não é ilegal um festival como a Festa do Avante, aí o vírus já não vai atacar?”, salientou, criticando também as manifestações e “os grandes espetáculos” previstos e pedindo o adiamento de “todos os eventos de supertransmissão”.

Também em declarações aos jornalistas no final da reunião, a líder parlamentar do PAN manifestou preocupação com a evolução da pandemia na sequência do desconfinamento, uma fase “crucial para acautelar saúde de todas e de todos”.

“Não podemos deixar da esfera daquela que era a responsabilidade do Estado para a esfera única e exclusivamente do comportamento pessoal”, salientou Inês Sousa Real, considerando que os portugueses não vão “poder fazer férias” como até aqui.

Dizendo estar também preocupada com as taxas de ocupação dos hospitais e com a “pressão exercida sobre os profissionais de saúde”, a deputada do PAN realçou ser “de extrema relevância haver controlo das cadeias de transmissão”.

Assim, Inês Sousa Real reiterou o pedido de uma “maior fiscalização dos aeroportos” e “mecanismos mais eficazes, como a exigência de testes à covid-19 antes da própria viagem”.

Considerando que “existem pessoas com contextos sócio económicos diferentes”, a parlamentar considerou “fundamental uma rede de apoio para estas pessoas e respostas sociais”, a par de uma maior sensibilização e monitorização dos casos.

Portugal contabiliza pelo menos 1.543 mortos associados à covid-19 em 40.104 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde.

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