“Estamos a ser mais reativos do que proativos e é importante que haja um planeamento efetivo para o momento em que, previsivelmente, vamos ter os nossos serviços de saúde mais pressionados, como é o caso do inverno. Se acrescentarmos esse aumento da procura pela gripe aos problemas relacionados com a pandemia, seguramente temos alguma dificuldade nessa matéria. Importa dotar o país dessa capacidade de resposta”, afirmou.

Em entrevista à Lusa, o líder da ANMSP assumiu que “as explicações não são fáceis de encontrar” para a situação atual da crise sanitária no país, refletida na subida do número de mortes, de casos e de internamentos hospitalares nas últimas semanas. No entanto, não deixou de enumerar vários fatores que se conjugaram para o atual retrato da pandemia.

“Desde a mensagem que foi passada para as pessoas, que levou a que adotassem comportamentos de maior risco, a falta de preparação, ou seja, de antecipar o aumento do número de casos e alguma demora na realização das diversas tarefas, como os inquéritos epidemiológicos ou o diagnóstico laboratorial. Isso acabou por levar, de facto, ao surgimento de um número relevante de novos casos”, explicou.

Questionado sobre a definição da evolução da realidade portuguesa no combate ao SARS-CoV-2, Ricardo Mexia sublinhou que a resposta passa, necessariamente, pela alocação de recursos atempada e adequada, bem como o cumprimento das normas de prevenção de contágio, nomeadamente, etiqueta respiratória, distanciamento social e uso de máscara de proteção.

“Em Lisboa e Vale do Tejo, particularmente, depende da nossa capacidade de rapidamente realizar os inquéritos, isolar os doentes e colocar os contactos em quarentena. Seguramente, depende dos recursos que estiverem alocados e da nossa celeridade para realizar essas tarefas”, notou, acrescentando: “Em relação à disseminação para o resto do país, é a questão da mobilidade e a adoção das medidas que todos já conhecemos”.

Por outro lado, o presidente da ANMSP relativizou as críticas veiculadas ao longo dos últimos dias entre políticos e responsáveis médicos e científicos sobre a recente gestão da pandemia, considerando que “não é uma questão de clivagem” entre as duas partes.

“Cada um tem o seu papel: aos técnicos cabe fazer a avaliação da situação e dotar os decisores da informação para que possam decidir, e aos decisores cumpre dar aos técnicos os recursos necessários. Se cada um cumprir o seu papel, estamos bem encaminhados para conseguir ultrapassar a situação. Se houver, de facto, uma dificuldade em cada um assumir aquilo que é seu, com os políticos a tentarem fazer um discurso técnico e os técnicos a tentarem justificar opções políticas, provavelmente, temos mais dificuldade”, sentenciou.

Portugal contabiliza pelo menos 1.620 mortos associados à covid-19 em 44.129 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 534 mil mortos e infetou mais de 11,47 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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