Num comunicado divulgado nas redes sociais do evento, a organização, a cargo da União Europeia de Radiodifusão, refere que ao longo das últimas semanas foram “exploradas várias opções alternativas que permitissem que o concurso fosse por diante”, mas a “incerteza gerada pela transmissão da doença Covid-19 pela Europa – e as restrições postas em prática pelos governos dos participantes e pelas autoridades holandesas – fez com que fosse tomada a difícil decisão de que é impossível continuar com o evento ao vivo como planeado”.

As negociações entre os organizadores vão prosseguir na perspetiva de a cidade de Roterdão acolher a Eurovisão em 2021.

"Pedimos alguma paciência enquanto trabalhamos entre ramificações desta decisão sem precedentes  e aguardamos pacientemente por mais notícias nos próximos dias e semanas", refere o comunicado.

A organização justifica o cancelamento — em vez de um adiamento, para outra data ainda em 2020 — com a incerteza quanto à  situação na Europa. "Nesta fase, não conseguimos garantir que seríamos capazes de montar um evento deste tamanho, com todos estas partes interessadas, mais à frente neste ano".

"Um concurso mais tarde iria também diminuir o tempo que a emissora vencedora teria para preparar a competição do próximo ano", sublinha a EBU.

Mesmo sem público, refere a organização, "seria impossível nesta altura" organizar o evento.

A artista Elisa, com a canção “Medo de Sentir”, seria a representante de Portugal na Eurovisão 2020, depois de ter vencido a final da 54.ª edição do Festival da Canção, realizada em Elvas (Portalegre).

Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 194 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 7.800 morreram.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 642, mais 194 do que os contabilizados na terça-feira. No entanto, este número baseia-se na confirmação de três casos positivos nos Açores, mas a Autoridade de Saúde Regional, contactada pela Lusa, sublinhou serem dois os casos positivos na região e adiantou estar em contactos para se corrigir a informação avançada pela DGS, baixando assim para 641.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 146 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

A 65.ª edição do Festival Eurovisão da Canção deveria realizar-se entre 12 e 16 de maio. As semifinais estavam marcadas para os dias 12 e 14 e a final para o dia 16.

Os representantes dos 41 países participantes, Portugal incluído, já estavam escolhidos.

O tema que iria representar Portugal – “Medo de Sentir” (composto por Marta Carvalho e interpretado por Elisa) - foi escolhido em 07 de março, na final do Festival da Canção, que decorreu em Elvas.

Marta Carvalho, numa publicação partilhada na sua página oficial na rede social Facebook, depois do anúncio do cancelamento, salientou que a decisão foi feita “pelo bem de toda a comunidade, e pela saúde de todos”.

“Mesmo assim, Portugal teve o seu próprio Festival da Canção, que para mim, tem mais valor. É o meu país. Obrigada a todos pelo apoio a esta canção. Acompanhem o trabalho da maravilhosa Elisa. Ela merece. Por aqui, tudo continua. Porque nada, mas mesmo nada, pode parar o que viemos ao mundo para fazer. Música”, lê-se na mensagem.

Portugal participou no Festival Eurovisão da Canção pela primeira vez em 1964, tendo entretanto falhado cinco edições (em 1970, 2000, 2002, 2013 e 2016).

Entre 2004 e 2007, inclusive, e em 2011, 2012, 2014, 2015 e 2019, Portugal falhou a passagem à final.

Portugal venceu pela primeira vez o Festival Eurovisão da Canção em 2017, com o tema “Amar pelos dois”, interpretado por Salvador Sobral e composto por Luísa Sobral. Na sequência da vitória, Lisboa acolheu o concurso no ano seguinte, por uma única vez, até agora.

(Artigo atualizado às 14:39)

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