“Mais de metade da amostra (56,7%) não concorda com a reabertura das escolas no ensino secundário no mês de maio, embora 37,5% concordem, desde que mantendo o distanciamento físico”, de acordo com o inquérito do Observatório de Políticas de Educação e Formação (OP.Edu).

Já 4,9% dos 1.754 indivíduos inquiridos não têm opinião sobre a matéria, enquanto apenas 0,9% é favorável à reabertura das escolas secundárias sem restrições em maio.

“No conjunto, apenas 36,9% concordariam com a abertura das aulas do 11.º e 12.º anos, embora se mantenha uma maioria de 53% dos inquiridos a afirmar que não concordam com a abertura das aulas de qualquer ciclo”, indicou o OP.Edu.

Quando confrontados com o cenário hipotético da abertura das aulas do ensino secundário no mês de maio, as condições mais valorizadas para que isso aconteça em segurança são o uso de máscaras e de luvas (57,9%), turmas mais pequenas (53,7%), e a manutenção de um regime combinado de aulas presenciais e aulas remotas pela Internet (43,6%).

Outra conclusão do inquérito é que a esmagadora maioria (92,5%) da amostra concordam com a decisão de o Governo de cancelar as aulas presenciais do ensino básico até ao final do ano letivo.

Já a opinião sobre a reabertura das instituições de ensino superior no mês de maio está mais dividida: 47,3% não concordam e 40,9% concordam desde que mantendo o distanciamento físico.

“As opiniões anteriores estão certamente ancoradas no facto de a grande maioria da amostra (85,9%) considerar que o Governo deveria ter a saúde dos estudantes e da população como a preocupação maior ao avaliar as condições de abertura das escolas, e de 82,5% não considerar imperioso que as escolas voltem a abrir no presente ano letivo”, sublinhou a entidade.

Cerca de dois terços dos inquiridos consideram que o fecho das escolas prejudicou a igualdade de oportunidades de acesso à educação, afetando, sobretudo, as aprendizagens dos alunos com menos recursos.

Quanto à apreciação do prejuízo do fecho das escolas nos resultados e avaliações dos alunos, as opiniões estão bastante divididas, já que 40,1% consideram que os resultados serão prejudicados pontualmente, enquanto 36,2% acham que as avaliações não vão ser prejudicadas.

A decisão de manter os exames dos 11.º e 12.º anos recolhe uma opinião favorável de 63% da amostra, desde que exista uma adaptação dos programas a nível nacional (45,9%).

Por seu turno, o cancelamento dos exames do 9.º ano obtém o consenso de 81,3% da amostra, enquanto 68,3% escolhem por uma avaliação adaptada no 3.º período como forma de transição para o ensino secundário.

“Embora uma maioria de 78% da amostra concorde com as decisões que o Governo anunciou a 09 de abril, 44% concorda, mas não totalmente”, assinalou o observatório, que resulta de uma parceria entre o Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED), da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, e o Centro de Estudos Sociais (CES), da Universidade de Coimbra.

Este relatório parcial do OP.Edu apresenta resultados preliminares e parciais de um inquérito que começou a ser aplicado no dia em que as escolas teriam retomado a sua atividade após as férias da Páscoa, contando com uma “amostra de conveniência constituída a partir de uma metodologia em ‘bola de neve'”, que reuniu respostas obtidas até 02 de maio.

“A amostra não tem preocupações de representatividade e não autoriza generalizações”, salientou a entidade responsável pelo estudo.

Portugal contabiliza 1.063 mortos associados à covid-19 em 25.524 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Relativamente ao dia anterior, há mais 20 mortos (+1,9%) e mais 242 casos de infeção (+1%).

Portugal entrou domingo em situação de calamidade, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.