Num relatório de avaliação de riscos hoje divulgado, sobre as “inundações catastróficas” de meados de julho na Europa central, que provocaram a morte de cerca de 200 pessoas, o ECDC analisa as “doenças infecciosas mais comuns e os riscos de saúde associados às áreas afetadas pelas cheias”.

No que toca à covid-19, “e considerando a prevalência crescente da variante de preocupação Delta e o facto de proporções substanciais da população não estarem vacinadas, a probabilidade de aumentar a circulação do SARS-CoV-2 nas áreas afetadas pelas cheias é elevada”, estima a agência europeia no documento.

Outros fatores que, de acordo com o ECDC, podem contribuir para o aumento do risco de covid-19 nestas zonas, mas também no conjunto da União Europeia (UE) e do Espaço Económico Europeu, incluem a “potencial perturbação dos programas de teste e rastreio e as dificuldades de implementação de medidas de isolamento e quarentena”.

Além disso, “os impactos na vacinação anticovid-19 e os obstáculos à manutenção das medidas restritivas na comunidade ou em habitações multifamiliares aumentam este risco”, acrescenta o organismo.

O balanço global de vítimas mortais na intempérie que fustigou a Europa Central em meados de julho ascende a 200, segundo os dados mais recentes, de 20 de julho.

As inundações causaram cortes de eletricidade em várias zonas e provocaram danos nas redes de comunicação, nomeadamente derrubaram antenas de telecomunicações, o que terá impedido as pessoas de receberem os alertas em devido tempo.

O ECDC realça, ainda assim, que “as respostas rápidas implementadas nos países afetados – tais como o acesso a cuidados de saúde, água potável e abrigos de salvamento – mitigaram substancialmente o risco de doenças infecciosas nas populações afetadas, bem como a subsequente propagação a outras áreas da UE e EEE”.

Ainda relativamente à covid-19, a agência europeia insiste num risco elevado de propagação do vírus, lembrando “os membros da comunidade que vivem em estreito contacto com pessoas deslocadas ou entre grupos de pessoas deslocadas ou retiradas, devido à sobrelotação e aos potenciais desafios de manter medidas restritivas”.

“Embora o risco de covid-19 grave seja baixo em indivíduos totalmente vacinados, é encorajada a implementação rigorosa medidas restritivas em todas as áreas afetadas para prevenir a infeção entre indivíduos parcialmente vacinados ou não vacinados”, sugere o ECDC.

Em causa estão medidas como higiene das mãos e respiratória, distanciamento físico e uso de máscaras faciais, precisa.

Também aconselhada pelo centro europeu é a continuação da vacinação anticovid-19, que deve “continuar a ser uma prioridade”, devendo por isso serem ultrapassadas as “perturbações na entrega de vacinas nas áreas afetadas pelas cheias”.

“Os testes e o rastreio de contactos devem também continuar a ser uma prioridade”, adianta.

Nesta avaliação de riscos de doenças infecciosas, o ECDC fala em riscos muito baixos ou baixos de infeções como influenza, tétano, sarampo, varicela, hepatite A, legionela e vírus do Nilo Ocidental, bem como outras doenças transmitidas por mosquitos.

Já na categoria de risco intermédio a alto estão o SARS-CoV-2, escherichia coli, salmonela, cryptosporidium e infeções por norovírus.

Um outro destaque do centro europeu é sobre a legionela, aconselhando o organismo as autoridades locais a implementarem “planos de gestão da água que minimizem o risco”.

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