A medida faz parte de um conjunto de oito recomendações feitas pela Ordem dos Médicos na sequência do “surto pelo novo coronavírus e perante o que se conhece até ao momento”, refere a OM em comunicado.

As propostas visam contribuir de “forma positiva para um melhor acompanhamento do que está a acontecer no terreno, para capacitar as instituições de saúde no sentido de poderem responder de forma ágil às necessidades logísticas e de recursos humanos e para conter a transmissão de casos em Portugal”.

Além da criação de uma linha de financiamento específica para o Covid-19, a OM recomenda “a identificação bem definida de uma cadeia de comando”, liderada pela Direção-Geral da Saúde, que comunique com clareza e que sirva de elo entre os vários intervenientes.

Defende também a “publicação urgente e ampla divulgação” do Plano de Contingência Nacional e a nomeação de um novo diretor para o Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e das Resistências aos Antimicrobianos, que “está sem liderança há mais de seis meses”.

“Os médicos assintomáticos que regressem de zonas afetadas pelo coronavírus, com transmissão ativa na comunidade, devem avaliar com a respetiva instituição, nomeadamente com os serviços de saúde ocupacional, as medidas a adotar”, recomenda a OM.

Aconselha ainda que os médicos não devem ir a reuniões médicas e científicas, nacionais ou internacionais, que não sejam estritamente essenciais e que as reuniões científicas programadas para Portugal possam vir a ser adiadas.

Para a OM, a Direção-Geral da Saúde (DGS) deve melhorar toda a informação divulgada e adaptar o seu ‘site’ para que seja navegável através de smartphones, o meio atualmente mais utilizado por profissionais de saúde, mas também pelos cidadãos.

Divulgação e implementação ampla das normas de proteção dos profissionais de saúde e formas de acompanhamento dos doentes, quer em ambulatório quer em internamento também fazem parte das recomendações da ordem.

A Ordem dos Médicos reitera ainda a sua “total confiança” na DGS e “disponibilidade para colaborar com as autoridades competentes em tudo o que entenderem como necessário”, recordando que criou ainda em janeiro um Gabinete de Crise multidisciplinar para o acompanhamento deste surto.

Hoje foi divulgado um caso confirmado de Covi-19 em Portugal e o outro caso aguarda uma contra-análise.

Um português tripulante de um navio de cruzeiros encontra-se hospitalizado no Japão com confirmação de infeção.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou pelo menos 2.980 mortos e infetou mais de 87 mil pessoas, de acordo com dados reportados por 60 países.

Das pessoas infetadas, mais de 41 mil recuperaram.

Além de 2.873 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.

A DGS manteve no sábado o risco da epidemia para a saúde pública em “moderado a elevado”.

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