"Vamos unir povos e governos de norte e sul para podermos vencer o terrorismo para sempre, para crescermos, para nos tornarmos mais desenvolvidos e trazer riqueza para os nossos povos, para enraizar o estado de Direito e a justiça", disse a parlamentar da Tunísia, durante a cerimónia da entrega do prémio, na Assembleia da República.

O problema do terrorismo, sustentou, "não é tunisino ou do mundo árabe", mas "é uma crise mundial".

"Temos de encetar mais esforços para nos opormos ao terrorismo e terminarmos com estes acidentes sangrentos e defender os povos", disse a laureada, cujo marido, Mohamed Brahmi, líder do partido Corrente Popular (oposição), foi assassinado em 2015 num ataque.

No seu discurso, Mbarka Brahmi deixou um apelo aos "povos e Estados do norte" para que "mostrem a sua solidariedade para com a orla sul do Mediterrâneo".

"Enfrentamos problemas de segurança devido ao terrorismo e aos fluxos migratórios do sul para o norte, devido à situação económica dos povos do sul", referiu, antes de mencionar alguns países que atravessam conflitos.

A Palestina, disse, enfrenta "a ocupação mais longa da história e precisa do apoio dos vossos Estados e dos vossos povos, congratulando-se "com o êxito dos palestinianos que conseguiram ganhar a guerra contra os sionistas com a greve de fome" levada a cabo por centenas de prisioneiros palestinianos durante 40 dias, e que terminou no sábado, após um acordo com as autoridades israelitas para melhorar as condições de detenção.

Mbarka Brahmi deixou ainda um pedido para que "todos trabalhem em prol da paz na Líbia, na Síria e no Iraque e para terminarem os conflitos sangrentos e as mortes dos inocentes, de forma a "vencer o terrorismo e alcançar a estabilidade e a paz no mundo árabe".

Também o fim do conflito no Iémen foi reivindicado pela ativista, que recordou que o país vive numa "situação desesperada devido à guerra e à fome".

A deputada recordou as dificuldades que o seu país tem atravessado no processo de transição democrática e reconheceu que os "objetivos sociais, económicos e políticos" da revolução de 2011, que determinou a queda do regime de Ben Ali, "ainda não foram alcançados", registando-se "um desemprego elevado e uma difícil situação económica".

Brahmi elogiou a "maturidade dos jovens" tunisinos e mostrou-se esperançada que os esforços do povo sejam recompensados.

"A luta contra a corrupção é a luta de todos os tunisinos. Temos de responsabilizar todos os que enriqueceram à cista dos nossos jovens", salientou.

A parlamentar pediu depois o apoio de todos os povos para "vencer o terrorismo e a corrupção".

"Precisamos do vosso apoio para conseguirmos recuperar os nossos recursos que foram roubados pelas figuras do antigo regime. Pedimos a todos vós apoio para fazermos um novo pagamento das dívidas que foram contraídas pelo antigo regime", destacou.

Mbarka Brahmi foi distinguida pelo Centro Norte-Sul do Conselho da Europa pelo seu papel na defesa dos direitos das mulheres e na promoção da paz. Preside ao partido Corrente Popular, fundou o "Centro Brahmi para a paz e a solidariedade" e, no parlamento tunisino, lidera a comissão responsável pelos Assuntos Sociais e Saúde.

Para a deputada, este prémio é também "um reconhecimento às mulheres tunisinas e às mulheres árabes em geral".

A parlamentar recebeu o prémio das mãos do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e foi aplaudida de pé. A presidente da Câmara de Lampedusa, Giuseppina Nicolini, também distinguida pelo Conselho da Europa, não esteve presente na cerimónia nem enviou uma mensagem.

O Centro Norte-Sul do Conselho da Europa iniciou a sua atividade em 1990 com o objetivo de estabelecer plataformas de diálogo, em matéria de interdependência e solidariedade, com regiões situadas fora do continente europeu, no quadro da "política de vizinhança" do Conselho da Europa.

O organismo tem sede em Lisboa e atualmente é composto por 20 países, aos quais nos próximos dias se vai juntar a Argélia.

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