O produto em causa, o Microbe Shield Z-71, da Zoono, promete ter um “efeito biocida até 30 dias”, mas a Groquifar duvida deste resultado porque penas foi testado segundo a EN14476, a norma europeia utilizada para “quantificar a atividade virucida dos desinfetantes”.

Numa resposta escrita enviada à Lusa, a associação explicou que “para a avaliação da eficácia virucida, qualquer produto tem de ser testado com um modelo de vírus específico com diferentes propriedades físico-químicas e em condições representativas do contexto real onde será aplicado”.

“Segundo a comunicação veiculada pela empresa comercializadora do produto Microbe Shield Z-71, o resultado do teste de eficácia dirá respeito à situação de contaminação única de determinadas estirpes de coronavírus – quais, não sabemos - e sem ter havido lugar a posteriores recontaminações”, indicou.

Neste sentido, referiu que a persistência de ação do produto “dependerá de muitos fatores externos, como sejam a quantidade de contaminação inicial, a presença ou ausência de matéria orgânica e o grau de atividade do vírus no local de tratamento”.

Na visão da Groquifar, devem ser realizados “controlos de seguimento do nível microbiológico ambiental” nos locais de tratamento, de forma periódica, para “estabelecer a necessidade e periodicidade de novas intervenções”.

A dúvida sobre a eficácia também foi levantada pela Death Clean, uma empresa especialista em limpeza e desinfeção, que apenas teve conhecimento da existência do produto através da comunicação social, aquando da aplicação no Metropolitano de Lisboa, em 15 de março.

“Nós tentamos sempre ter o melhor produto e fomos investigar, mas a marca apenas faz publicidade sem conseguir provar a sua eficácia. Foi testado em laboratório, mas não em reservatório ambiental, ou seja, numa superfície que realmente é acedida por terceiros, como é o caso do metro”, apontou o diretor da empresa, Pedro Badoni.

Para o responsável, é importante que se aumente o “nível de higienização dos espaços para reduzir a probabilidade de contaminação cruzada”, contudo, “não se está livre de que a superfície fique novamente contaminada porque a esterilização ambiental não é possível”.

No final de março, a Lusa contactou a representante da marca em Portugal, a Zoono Ibéria, mas até ao momento não foi possível obter declarações.

No entanto, segundo uma notícia de hoje da TSF, a Direção-Geral da Saúde (DGS) considera que não existe evidência científica” de que o Microbe Shield “seja eficaz” contra o novo coronavírus.

Aliás, segundo a rádio, a DGS notificou a Zoono porque “não estava a cumprir as regras da publicidade previstas no Regulamento dos Produtos Biocidas” ao conter menções como “produto biocida de baixo risco”, “não tóxico”, “inócuo” ou “natural”.

Devido à pandemia da covid-19, o Microbe Shield foi o escolhido para desinfetar vários transportes públicos, como foi o caso do Metropolitano de Lisboa, do Metro do Porto ou da Transtejo e Soflusa (transporte fluvial).

Numa resposta escrita enviada à Lusa, o Metro de Lisboa e a administração da Transtejo e Soflusa indicaram que o desinfetante “foi testado segundo a norma europeia EN14476 para várias estirpes de coronavírus e outros”, tendo revelado “uma eficácia superior a 99,99% ao fim de cinco minutos”.

Segundo as empresas, trata-se de uma “nova e disruptiva tecnologia de desinfeção física, inócua para os humanos e animais, mortal para uma ampla variedade de bactérias, fungos, leveduras e vírus, nomeadamente o coronavírus que causa a covid-19”.

A administração da Transtejo e Soflusa referiu que o produto “foi inicialmente testado pelos Transportes de Londres, que partilharam os resultados do seu estudo (que atesta a proteção por 30 dias)”.

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