A taxa de mortalidade materna aumentou em 2017 para níveis que não se verificavam desde 1991, segundo dados divulgados no domingo pelo Jornal de Notícias, que revelam que só nesse ano morreram nove mulheres durante a gravidez, parto ou no pós-parto.

Em comunicado hoje divulgado, a DGS afirma que está a “acompanhar atentamente a evolução da situação, reforçando a necessidade de inquéritos epidemiológicos, que analisem em detalhe cada morte”.

Anuncia ainda que vai reforçar a monitorização e vigilância da mortalidade materna.

“Este assunto é da máxima importância para a DGS e para os serviços de saúde em geral”, sublinha.

Em Portugal, a idade média das grávidas tem aumentado consistentemente, quer quando se considera qualquer gravidez, quer apenas para o primeiro filho, afirma, salientando que este aspeto influencia a mortalidade infantil e a mortalidade materna.

“Entre 2014 e 2017, quase 60% das mortes maternas ocorreram em mulheres com mais de 35 anos, enquanto apenas 30% das mães de todos os nados vivos, estavam nesse grupo etário”, observa a DGS.

A Direção-Geral da Saúde lembra que a mortalidade materna é influenciada por fatores como a idade da mulher na gravidez e no parto e a gravidade da patologia subjacente, que leva a maior complexidade nos cuidados a prestar e aumenta o risco de doença e de morte.

“A mortalidade materna é considerada também um indicador da facilidade de acesso da mulher aos cuidados de saúde e da capacidade do sistema de saúde para responder às suas necessidades”, adianta.

O Sistema de Informação de Certificados de Óbito (SICO) foi implementado em território nacional em 2014 e o sistema de recolha de dados do INE mudou, passando a adotar os dados do SICO, o que melhorou a informação disponível.

Nas últimas duas décadas, o número de mortes maternas foi baixo, pelo que, para fins de análise epidemiológica e estatística deve, preferencialmente, ser avaliado no contexto de séries temporais, diz a DGS, adiantando que “os valores estatísticos são indicativos e merecem estudo aprofundado”.

Em outros países da Europa o estudo das mortes maternas apresenta diferenças metodológicas importantes na recolha e análise, o que, em quadros de baixa mortalidade (<20/100.000 nados vivos), pode originar diferenças relevantes nas comparações internacionais.

Em Portugal, “as mortes maternas poderão aumentar”, dadas “as características da nossa população de grávidas e parturientes, pelo que a monitorização e vigilância serão reforçadas”, salienta.

No período analisado num relatório da DGS de 2009 (2001-2007), apurou-se que a partir dos 20 anos, o risco de morte materna por cada nado‐vivo aumentou com a idade.

Além da idade, as patologias múltiplas e graves na gravidez também têm aumentado, havendo hoje gravidezes com quadros clínicos ausentes no passado.

A DGS salienta a importância do papel dos órgãos de comunicação social “na sensibilização da população para o planeamento atempado das gravidezes, quer por questões de facilidade reprodutiva, que entre os 36 e os 39 anos reduz drasticamente, quer por razões de risco acrescido para a grávida e para o feto”.

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