“É uma situação trágica para o concelho. É, obviamente, lamentável chegarmos a este ponto. A Câmara Municipal tem estado sempre a acompanhar esta situação, no entanto, aquilo que não queríamos que acontecesse, aconteceu”, afirmou José Augusto Alves.

A empresa Dielmar, com sede em Alcains, Castelo Branco, e cerca de 300 trabalhadores, pediu a insolvência ao fim de 56 anos de atividade, uma decisão que a administração atribui aos efeitos da pandemia de covid-19.

Segundo o autarca, a insolvência “era uma situação que se vinha a desenhar de há uns tempos a esta parte”, pelo que “era expectável”.

José Augusto Alves esclareceu que “há bastante tempo” pediu uma reunião com o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, “porque esta situação poderia acontecer”, pedido que reiterou no fim de semana, aguardando uma resposta.

“Tenho prevista uma reunião no final desta semana com várias entidades. São 300 pessoas que ficam no desemprego”, frisou, defendendo: “Temos de acionar todos os mecanismos que estão ao nosso alcance, pelo menos para atenuar a situação das famílias”.

Alertando que “é uma vila [Alcains] e uma região que dependem muito da Dielmar”, o presidente do município acrescentou que a insolvência “tem impacto em Alcains, no concelho de Castelo Branco, e a nível nacional e internacional”.

“A Dielmar é uma marca de referência nacional e internacional”, adiantou.

Em comunicado, a administração da Dielmar diz que a empresa “após ter ultrapassado várias crises durante 56 anos”, sucumbiu à pandemia da covid-19, “contaminada por um conjunto de situações que foram letais”.

“Esta crise atacou, globalmente, o que de melhor sustentava a sua atividade: o convívio social, os eventos e casamentos, com a elegância, o ‘glamour’ da alfaiataria por medida e a personalização em que nos especializamos, e o trabalho profissional no escritório, que eram a base fundamental do negócio da Dielmar”, sublinha a empresa.

No comunicado, a empresa salienta que os últimos 16 meses foram “longos e duros” e que fez “um esforço imenso e solitário” para conseguir sobreviver e manter os atuais cerca de 300 postos de trabalho.

“Por isso, não podemos deixar de dar uma palavra de gratidão os nossos trabalhadores, que estiveram sempre ao lado da empresa e do nosso lado, a lutar diariamente connosco pela sobrevivência da empresa, com um imenso empenho e dedicação”, afirma o conselho de administração.

A empresa lamenta a decisão, frisando que tem ainda “maior preocupação” pois sabe “o quanto a desertificação” afeta a região (Castelo Branco), “que se vê a braços com uma nova e forte redução populacional, conforme o demonstram os recentes censos”.

“Talvez a insolvência da Dielmar seja o alerta e o farol para que possam repensar com caráter de urgência o interior e apoiar as indústrias que ainda aqui existem e que suportam, há décadas, a fixação das pessoas e a economia e equilíbrio social da região. E que proporcionam, sobretudo, oportunidades de trabalho para as mulheres”, sublinha o conselho de administração da empresa.

“A insolvência abrirá novas oportunidades que terão, certamente, a mobilização e apoio do próprio Estado e da autarquia, e poderão proporcionar o ressurgimento da empresa e a manutenção dos seus atuais postos de trabalho”, acrescenta.

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