“(…) O comportamento das exportações e o nível da dívida são motivos de preocupação. Neste último caso, sobretudo o crédito ao consumo, já supera níveis anteriores à crise, sendo um dos mais altos da União Europeia”, refere a mensagem do Duque de Bragança por ocasião de mais um aniversário da restauração da independência de Portugal, lida esta noite no “jantar dos conjurados", que decorre na véspera do feriado nacional, no Estoril, distrito de Lisboa.

Segundo Duarte Pio, “há anos que as instituições financeiras não emprestavam tanto dinheiro” no país, referindo que “a subida destes valores tem sido acompanhada de diversos alertas sobre os excessos que podem estar a ser cometidos”.

Em dezembro do ano ano passado, Dom Duarte Pio recebeu o SAPO24 no coração de Lisboa, em pleno Chiado, na Rua Duques de Bragança, num prédio a uns metros da Fundação Manuel II, uma instituição particular, sem fins lucrativos, de assistência social, educacional e cultural, com ações no território português, nos países lusófonos e nas comunidades portuguesas em todo o mundo. Recorde aqui a entrevista.

“Alguns Presidentes perceberam que o papel que o país quer do chefe de Estado é o de Rei”
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Na mensagem de hoje, revela preocupação. “Os dados mais recentes revelam que há razão para alarme”, insistiu, para assinalar que no passado Portugal já pagou pelos “excessos coletivos”, desejando que os erros do passado possam “guiar o país para um futuro mais consciente”.

Para Duarte Pio, “apesar desta situação, os governantes portugueses têm sabido conduzir Portugal com estabilidade e paz social que permite uma caminhada de crescimento para o país”.

Porém, advertiu que “esta estabilidade e credibilidade da classe política não devem ser afetadas por situações de falha dos seus atores, como, infelizmente, tem vindo a acontecer em alguns casos”.

“A classe política tem de saber respeitar da melhor forma o esforço que foi feito pelo povo nesta situação difícil que temos vivido ao longo dos últimos anos”, observou.

Na mensagem, em que também aborda os 100 anos do fim da I Guerra Mundial (1914-1918), Duarte Pio declara ser importante que as Forças Armadas “disponham dos meios para cumprir a sua missão”, manifestando preocupação com “a tentativa de criação de um exército europeu em substituição das forças armadas nacionais”.

Segundo o pretendente ao trono português, tal “pode pôr em causa” a soberania de Portugal.

Duarte Pio assinalou, ainda, que “os conflitos sociais que estão a percorrer a Europa não se refletem” no patriotismo nacional, que “sempre foi acolhedor das diferenças”, mas advertiu para a situação de marginalização em que vivem muitos jovens descendentes de comunidades imigradas em Portugal.

Na mensagem, Duarte Pio considera igualmente que “o maior atentado contra” a identidade cultural a que se assiste “há já alguns anos é relativo à família” e apelou para que os portugueses “se unam e atuem em torno” da cultura e valores para se construir um Portugal melhor.

“Num período de divisões por todo o mundo, temos a vantagem de ser um dos Estados nação mais antigos do mundo sem divisões nem barreiras à nossa ação”, acrescentou.

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