A derrocada de um prédio na Alexandre Herculano, em Lisboa, provocou duas vítimas. As primeiras informações davam como certa a morte dos dois indivíduos, mas isto não foi oficialmente confirmado pelas autoridades num primeiro momento. Entretanto, à Lusa, o comandante dos Sapadores Bombeiros, Pedro Patrício, adiantou que os dois homens dados hoje como desaparecidos na sequência da derrocada morreram.

O comandante dos Sapadores Bombeiros falava aos jornalistas junto ao prédio, localizado na Avenida Alexandre Herculano, 41. Segundo Pedro Patrício, “três pisos derrocaram, com as lajes interiores a caírem para dentro daquilo que se chama de saguão”. Ainda de acordo com o comandante, os trabalhos “são demorados”, estando a correr “dentro da normalidade possível”. Em relação às causas da derrocada, o responsável escusou-se a adiantar razões, frisando que se trata de “questões técnicas” que só depois vão ser avaliadas.

O trânsito na Rua Alexandre Herculano, em Lisboa, foi reaberto por volta das 14:30.

O alerta de desabamento foi dado pelas 12:00, havendo inicialmente “dois trabalhadores desaparecidos, supostamente debaixo dos escombros”, segundo o porta-voz da PSP de Lisboa, Sérgio Soares. O ‘site’ da Autoridade Nacional de Proteção Civil dá conta de um “desabamento de estruturas edificadas” que mobilizava um total de 31 homens e nove viaturas, depois de o alerta ter sido dado às 12:12.

Fonte do Gabinete de Relações Públicas do Comando da PSP da Lisboa reafirmou, ao SAPO24, que não há informação de mais vítimas para além das referidas inicialmente.

Segundo António Vinagre, adjunto do chefe da sala de operações dos Sapadores Bombeiros, no local estiveram quatro viaturas dos bombeiros, com 12 elementos, além de meios da PSP, da Proteção Civil Municipal e do INEM.

A derrocada aconteceu nas traseiras de um prédio em construção, que está a ser reabilitado para apartamentos de luxo, com preços a rondar os 350 e os 550 mil euros. O site da agência imobiliária dá conta de que a maioria dos 21 apartamentos está vendido ou reservado. Trata-se de um prédio de 1886, a cinco minutos a pé da Avenida da Liberdade.

Segundo uma testemunha entrevistada no local, as duas vítimas têm idades a rondar os 50 anos.

Autoridade para as Condições do Trabalho diz ser prematuro avançar com causas de derrocada

O inspetor-geral da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) disse ser prematuro avançar com as causas da derrocada que provocou hoje a morte a dois trabalhadores numa obra em Lisboa.

“É muito complicado apurar as causas da derrocada, porque a instabilidade é muito grande e o acesso ao local está interdito pela Proteção Civil. As instabilidades numa demolição não podem existir, por isso é que existem normas de segurança. Não existem acidentes por acaso”, afirmou Pedro Pimenta Braz.

O inspetor, mostrou-se “extremamente preocupado por, no meio da cidade de Lisboa, morrer uma pessoa a trabalhar”. “Não pode acontecer em países modernos”, afirmou, dando o exemplo da Suécia.

Tanto Portugal como a Suécia têm 10 milhões de habitantes, cinco milhões dos quais população ativa, e no ano passado morreram em Portugal, na sequência de acidentes de trabalho, 160, enquanto na Suécia o número foi de 35, avançou.

“Todos temos um caminho muito grande a fazer: as nossas empresas, empreiteiros e a ACT” para evitar estas mortes, frisou.

Em declaração à agência Lusa, um trabalhador da obra, que não quis ser identificado, disse que estava no primeiro andar quando aconteceu o acidente. “Foi tudo muito rápido, só tive tempo de ver a poeira e fugir”, avançou. De acordo com o mesmo, as obras começaram há dois meses, estando o edifício a ser reabilitado, e não havia suspeitas de que as paredes interiores estivessem em risco.

[Notícia atualizada às 19h46]

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