A Portugal Air Summit, uma das maiores cimeiras da aeronáutica da Europa, realizou-se pelo segundo ano consecutivo, não em Lisboa, nem tão pouco no Porto, mas sim em Ponte de Sor, uma cidade pequena no interior do país. Como explica este feito?

Hugo Pereira Hilário (H.P.H.): Ainda bem que não é em Lisboa ou no Porto, e que é realizada em Ponte de Sor. Vivemos num país que está, cada vez mais, concertado com as suas oportunidades e consciente daquilo que tem para oferecer aos investidores. Este é o principal propósito do Air Summit.

Entendemos que demos um contributo para demonstrar que também é possível fazer acontecer no interior do país. A imagem e o retorno deste evento mostraram que o setor da aeronáutica tinha a possibilidade de se unir e promover um cluster que não tem, ou tem muito pouco, limite de crescimento. O cluster aeronáutico marcou um grande desenvolvimento no concelho de Ponte de Sor e na região do Alentejo. Não estamos a falar apenas deste concelho mas também de Évora, Beja, Grândola e do próprio país.

O Portugal Air Summit veio juntar todos estes agentes do setor para que percebêssemos que se estivermos juntos e concertados é mais fácil criar uma boa imagem do nosso país e passá-la para o exterior. É certo que temos um concelho e uma região muito atrativos, mas também temos um país com possibilidades, dinâmicas e respostas superiores a muitos outros. Esse é o maior contributo do Air Summit.

Em relação a Ponte de Sor, apesar do crescimento e evolução dos últimos tempos, sentíamos necessidade de desenvolver a questão da promoção, do marketing e comunicação e esta foi a melhor forma que arranjámos para promover o nosso aeródromo e as empresas que aqui estão sediadas. Posso dizer que estou orgulhoso mas com um sentido de responsabilidade acrescido e com muito trabalho pela frente. O que é bom. Quando temos novos desafios e dinâmicas para concretizar, significa que a comunidade está a crescer e a evoluir e isso é o melhor de tudo.

Ao longo de quatro dias o evento recebeu aproximadamente 50 oradores, mais de 100 expositores eram estimados à volta de 40 mil visitantes. Que impacto é que tem para o concelho?

H.P.H.: É o maior evento aqui realizado e tem um impacto bastante relevante. Ao longo destes quatro dias não temos uma cama livre e dificilmente há uma mesa vaga num restaurante. Mas, para além disso, conseguimos fixar e enraizar uma marca para o país. A nossa audácia e forma de estar fizeram com que os cidadãos de Ponte de Sor ficassem orgulhosos, satisfeitos e motivados com o Air Summit. Mas o nosso mérito e vitória estão no facto de o país já sentir necessidade de um evento desta natureza e dimensão. Quanto ao impacto que teve, esse é difícil de medir. As camas, o número de visitantes e as refeições servidas são fáceis de quantificar, o complicado é perceber qual o retorno que o Portugal Air Summit 2017 e 2018 tiveram em termos de desenvolvimento para a região e para o país. Isso só se percebe no dia-a-dia quando os contactos que aqui fizemos trouxerem retorno. Somos muito realistas. Falamos apenas daquilo que existe e não daquilo que poderá acontecer. Apostamos e trabalhamos nisso. Além da escola de pilotos, o Aeródromo Municipal de Ponte de Sor tem várias empresas ligadas à aeronáutica.

Acredita que o facto do Air Summit ocorrer aqui em Ponte de Sor é uma mais-valia para a autarquia? 

H.P.H.: Não tenho a menor dúvida. Em primeiro lugar pela capacidade acrescida que estas empresas nos dão na organização do evento. Isto só é possível com a colaboração e motivação dos funcionários da autarquia que trabalham diversas frentes nestes dias mas também pelas empresas que estão sediadas no Aeródromo e que dão o seu contributo, quer em termos de organização e logística, quer em termos de conteúdo pragmático.

Em criança, costumava brincar com aviões e sonhava voar tão alto?

H.P.H.: Nada disso.

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