“Há partidos, como o atual do Governo, que defende uma redução. Nós entendemos que deve ser feita a isenção total para quem cá mora e para as empresas que têm cá sede, nas áreas territoriais abrangidas por estas vias. Outra coisa diferente é quem cá passa, aí deve-se continuar a pagar portagem enquanto esse sistema vigorar”, defendeu Pedro Santana Lopes, em declarações à Lusa.

De visita ao distrito de Viseu, a cumprir a oitava semana do roteiro “Levanta-te do sofá”, e na véspera de apresentar o programa eleitoral no Porto, nesta sexta-feira, dia 6, a um mês das eleições, o líder do Aliança considerou que o fim das portagens “é mais do que razoável e justa” para o interior.

“As ex-SCUT [autoestradas sem custos para o utilizador] traziam muita esperança de trazer muito desenvolvimento para o interior, mas o balanço feito, ao fim destes 15 anos, tem de nos levar a concluir que isso não aconteceu e, portanto, grandes estradas, grandes vias de comunicação, mas o rendimento per capita destas regiões não melhorou como se esperava, nem pouco mais ou menos, e há que introduzir medidas corretivas”, justificou.

Pedro Santana Lopes explicou que, quando as portagens foram aplicadas, no início deste século, “era diferente”, lembrando a altura em que assumia o cargo de primeiro-ministro, mas, “agora, feito este balanço”, a conclusão a que se chega é que “estas vias de comunicação não trouxeram o que se esperava e, por isso, é de elementar justiça e deve ser feito já, a partir do início da legislatura”.

O líder do Partido Aliança, na companhia do cabeça de lista por Viseu, Pedro Escada, disse ainda à agência Lusa, na visita que fez a uma das entradas na A25, junto ao nó de Viseu em direção para Mangualde, que já fez as contas ao dinheiro que o Estado deixa de arrecadar com o fim das portagens nas ex-SCUT.

Santana Lopes alertou que “não é uma medida oportunista ou leviana”, reforçando que “é justo e estudado”, uma vez que “o total de portagens do Estado é superior a mil milhões de euros, cerca de metade é das portagens das autoestradas da Brisa, portanto, esta medida que abrange o interior abrange cerca de 10% do que o Estado recebe em receitas de portagens”.

“É justo, principalmente depois do que o Governo decidiu para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, ou seja, não se pode dizer que há 150 milhões para Lisboa e Porto e depois que não há 90 milhões de euros ou 80 milhões de euros, que é o que representa de receitas, que se deixam de receber, ao acabar com as portagens nas ex-SCUT”, contabilizou, referindo-se aos passes sociais das duas maiores áreas metropolitanas do país.

Em relação ao Itinerário principal (IP) 3, que liga Viseu a Coimbra, Santana Lopes defendeu a “construção de uma autoestrada, sem portagens”, e criticou o atraso nas obras, dizendo que “agora puseram lá umas máquinas, uns desvios e umas máquinas” o que, no seu entender, “sabe um pouco a intervenção para eleitor ver”.

“É uma monstruosidade o Estado não ter tomado medidas excecionais para acabar com esta estrada da morte. Em cerca de duas décadas, são cerca de duas centenas de mortos e muitos feridos, muitas vidas ceifadas ou prejudicadas”, lamentou.

Pedro Santana Lopes lembrou “algumas medidas excecionais” que o Estado já tomou, nomeadamente após os incêndios de 2017, e, neste sentido, o líder partidário entendeu que “se deveria pensar nisso” na questão do IP3, “porque, quando estão em causa vidas humanas, não há normas de contratação pública que devam valer, é justificável outra forma de contratação mais expedita, mas devidamente fiscalizadas”.

“O IP3 é um caso de prioridade absoluta”, rematou este responsável que em Viseu ainda reuniu com a administração da Associação Empresarial de Viseu e com a administração do Centro Hospitalar Tondela Viseu, para se inteirar sobre as obras das urgências e do centro oncológico.

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