Estas acusações foram feitas na intervenção de Daniel Adrião na reunião da Comissão Política Nacional do PS, em Lisboa, que se prepara para aprovar as listas de candidatos a deputados socialistas nas próximas eleições legislativas.

No seu discurso, ao qual a agência Lusa teve acesso, Daniel Adrião referiu-se às listas de candidatos a deputados do PS na sua globalidade e considerou que "os dados estão lançados, as decisões do secretário-geral [António Costa] estão tomadas".

"E a responsabilidade destas escolhas é do secretário-geral, porque a proposta que vamos votar é apresentada pelo secretário-geral. São escolhas que refletem o peso e a influência do aparelho, mas que não refletem a desejável abertura à sociedade que se impunha, tendo em conta os fraquíssimos níveis de participação eleitoral que se têm vindo a registar", sustentou.

O dirigente socialista afirmou depois que, "para os níveis de responsabilidade que o PS tem hoje na sociedade portuguesa, exigia-se muito nesta fase, quer no processo de construção do programa, quer das suas listas eleitorais".

"Infelizmente, esta direção não quis seguir os bons exemplos e as boas práticas que o PS vivenciou no passado, marcados por uma forte participação, descentralização e abertura à sociedade civil, que são exemplos memoráveis os Estados Gerais [no tempo de liderança de António Guterres], mas também as Novas Fronteiras [na liderança de José Sócrates]", referiu.

De acordo com este dirigente da tendência minoritária dos socialistas, "mais uma vez", no PS, "valorizou-se o controlo em detrimento da inovação".

"A atual direção decidiu insistir num modelo de organização política caduco e esgotado, que não é minimamente atrativo, que não tem canais de comunicação com a sociedade. O resultado são listas sem novidade, sem frescura, construídas apenas numa lógica de gestão de equilíbrios de poder interno", acrescentou.

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