"Eu não jogo em dois tabuleiros ao mesmo tempo, nem acho que isto deve ser um leilão de lugares. Isto não é um bazar de Marraquexe", afirmou Rui Barreto, em declarações à agência Lusa.

O líder dos centristas da Madeira comentava assim o que apelidou de "especulações" surgidas na noite das eleições, domingo, de que o CDS-PP poderia formar governo "à esquerda ou à direita".

"Sempre disse que iria respeitar a vontade maioritária do povo", assegurou.

O PSD venceu no domingo as eleições legislativas regionais da Madeira, mas perdeu, pela primeira vez a maioria absoluta, ao eleger 21 dos 47 deputados que compõem o parlamento regional. Uma vez que o CDS-PP conseguiu três mandatos, os dois partidos juntos somam 24 deputados, número necessário para uma maioria absoluta.

Ainda na noite eleitoral, o cabeça de lista do PS, Paulo Cafôfo, mostrou-se “disponível para liderar uma base de entendimento" com todos os partidos da oposição, para formar governo na região autónoma, ou seja, com o CDS-PP, o JPP, que também elegeu três representantes, e a CDU, com um. O PS alcançou 19 mandatos.

Rui Barreto explicou que as negociações com os sociais-democratas começaram na segunda-feira à tarde, com o encontro com o líder do PSD/Madeira e presidente do Governo Regional, que serviu para definir "a metodologia de trabalho a adotar", tendo em vista a criação de um governo de coligação.

Será criado um grupo de trabalho, acrescentou, composto por elementos dos dois partidos, que se reúne hoje pela primeira vez, "num lugar neutro".

No primeiro encontro, explicou Rui Barreto, Miguel Albuquerque transmitiu a intenção de "governar com estabilidade, numa coligação, em que o CDS integre o governo", excluindo, porém, a possibilidade de um acordo "de incidência parlamentar".

Por seu turno, o líder do CDS regional manifestou a sua disponibilidade para “iniciar as negociações, mas na base de um acordo político, de princípios”, que prevê “regras de relacionamento e um entendimento”, e só depois a elaboração de “um acordo programático”.

Só depois disso é que será elaborada a “orgânica” do executivo, sendo natural que elementos do CDS integrem o elenco governativo, para “garantirem o cumprimento” do programa, que já não será só de um partido, salientou.

“O grupo de trabalho vai dialogar, acertar posições naquilo que for convergente e no que for divergente. [Depois] eu e Miguel Albuquerque acertamos as coisas, dialogamos os dois”, explicou.

Quanto ao acordo programático, Rui Barreto considera que os dois partidos “têm de sentir-se razoavelmente confortáveis” com o documento, sublinhando que, no seu entender, “o mais importante é um projeto para a Madeira” que envolva o futuro da região.

O centrista insistiu que “não conversa com dois [partidos] ao mesmo tempo porque isso é desonesto e deselegante”, reforçando: “É com o PSD que devo encetar negociações”.

“Vamos ver se elas [as negociações] terminarão bem”, disse, salientando que não irá ceder a tudo, mas que aplicará "o bom senso", colocando, para já, "totalmente de parte" um cenário de falhanço das negociações.

“Se não correrem bem, sentir-nos-emos livres de poder manter outros tipos de diálogos”, realçou.

O líder centrista revelou que convocou para hoje à noite uma reunião da comissão política regional do partido, a primeira depois das eleições, para pedir a “confiança e um mandato para conduzir estas negociações com vista ao acordo de coligação”, um processo que se espera “difícil e moroso”.

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