A ponte que fazia ligação entre Castelo de Paiva e Entre-os-Rios já era muito antiga. Inaugurada em 1887 e batizada de Ponte Hintze Ribeiro ficou-se a saber, mais tarde, que o aviso para um possível colapso da travessia já tinha sido sentenciado há mais de uma década.

Nessa noite, 59 pessoas perderam a vida. A maior parte, 53 mais precisamente, regressavam de uma excursão a Trás-os-Montes onde tinham ido ver as amendoeiras em flor. As restantes vítimas viajam em três veículos ligeiros que, com o autocarro, seguiram rio abaixo. Foram poucos, os corpos das vítimas recuperados. Alguns deram à costa, na Galiza, a mais de 200 quilómetros do local do acidente. Por aparecer ficaram 36.

Mas este não foi o único colapso da noite. Além da queda da ponte, também houve um ministro que caiu. Jorge Coelho, ministro do Equipamento Social apresentou a demissão na manhã seguinte. “Assumo a responsabilidade política”, foram as suas palavras. O então primeiro-ministro, António Guterres aceitou a demissão pela “dignidade de quem seguramente está isento de qualquer responsabilidade pessoal pelos trágicos acontecimentos”, afirmou.

De acordo com o Jornal de Notícias, o pilar da ponte que colapsou estava assente em estacas de madeira. A esta tragédia seguiu-se uma Comissão Parlamentar de inquérito que concluiu que a causa direta para a queda do quarto pilar foi a descida do leito do rio na zona que teria sido causada pela extração de areias no leito do rio.

O caso chegou a julgamento e, em outubro de 2006, os quatros engenheiros da ex-Junta Autónoma das Estradas e dois de uma empresa projetista foram absolvidos. Os seis técnicos eram acusados de crime de negligência e violação das regras técnicas.

A nova ponte foi inaugurada 14 meses depois, um tempo recorde, pelo então primeiro-ministro Durão Barroso. Mas a localidade de Entre-os-Rios não voltou a ser a mesma.

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