A investigação foi anunciada pelo portal de notícias brasileiro UOL, que informou que o governo de Rondónia teria incluido dados sobre camas de unidades de terapia intensiva inativas, ou seja, que estão fechadas e não podem ser usadas para receber pacientes, em relatórios diários sobre a ocupação de hospitais na pandemia, durante os meses de dezembro e janeiro.

O objetivo da alegada fraude terá sido evitar que o estado tivesse de decretar medidas de isolamento social mais rígidas no combate à pandemia de covid-19, prejudicando interesses de empresários locais que são contra as medidas.

“Para poder camuflar os dados do relatório eles continuavam lançando esses leitos [camas], mesmo estando inativos. E não só estavam inativos, como não havia nem sequer a possibilidade de ativá-los a qualquer momento por absoluta falta de profissionais médicos”, disse o promotor Geraldo Henrique Guimarães, do Ministério Público de Rondónia.

A cidade de Porto Velho, capital regional de Rondónia, já enfrenta um colapso na saúde pública pelo excesso de casos e precisa transferir pacientes por falta de vagas em unidades de saúde para outros estados brasileiros.

“As adulterações já evidenciadas fizeram com que perdêssemos tempo precioso para nos prepararmos para o pior”, afirmou o mesmo promotor.

Guimarães explicou que percebeu o problema no dia 20 de dezembro, quando detetou que os relatórios diários apontavam mais camas disponíveis para atender pacientes nos hospitais do que a rede de saúde local realmente possuía.

“O promotor de plantão detetou duas ou três pessoas na fila de espera na madrugada, sendo que no relatório diário apontava a existência de 15 leitos [camas] vagos. Foi quando eu conversei com o secretário [de Saúde, Fernando Máximo] e falei: Olha, tem alguma discrepância aí. Os leitos que os senhores indicam no relatório diário não estão coincidentes com a realidade”, explicou Guimarães.

“Alertei da consequência do crime de falsidade ideológica. Eles estavam adulterando um relatório que poderia levar, de uma hora para outra, o nosso estado a uma situação caótica, a exemplo de Manaus”, acrescentou.

O Ministério Público estadual de Rondónia pediu a abertura de uma investigação para aprofundar os responsáveis pela inclusão dos números nos documentos. Segundo o UOl, as suspeitas começaram a ser apuradas hoje pela polícia.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de mortos (217,664 mortos em mais de 8,8 milhões de casos), depois dos Estados Unidos.

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