A ANEM, em comunicado, afirma que os resultados do concurso da segunda época de 2018 para a colocação de médicos especialistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) “reforçam a urgência de coordenar medidas políticas através do Ministério da Saúde e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior com a devida antecipação”.

Segundo dados oficiais da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) enviados à Lusa, apenas 165 de 300 vagas para médicos especialistas foram ocupadas em hospitais e centros de saúde do continente.

Os dados da ACSS indicam que para a região norte foram contratados 64 especialistas, em Lisboa e Vale do Tejo ficam 60, seguindo-se os estabelecimentos hospitalares do centro (26), do Alentejo (10) e do Algarve (05).

A área dos cuidados primários, com 113 colocações possíveis em centros de saúde e unidades de saúde familiar, apenas conseguiu atrair 73 médicos de família.

A região da capital colocou 35 especialistas em medicina geral e familiar, o norte e o centro apenas 18 e 16, respetivamente.

Nas unidades algarvias só três profissionais ocuparam as vagas abertas e no Alentejo apenas um, para os nove lugares disponíveis.

Em comunicado, a ANEM considera que é necessário aferir quais as medidas que promovem a prestação de cuidados de saúde adequada às necessidades da população em diversas regiões do país, ao mesmo tempo que se definam medidas atrativas de fixação de médicos nessas regiões e seja construída uma formação capaz de suprir as necessidades evidenciadas.

O presidente da ANEM, Vasco Mendes, defende “um plano orientador e estruturado desde o início da formação médica até ao contacto médico-doente aquando da prestação de cuidados de saúde”, como forma de combater as assimetrias registadas na colocação de médicos especialistas.

“Se o Governo pretende fixar os jovens médicos no SNS tem de fazer uma correta gestão dos recursos humanos na área da Saúde desde a sua formação, à sua retenção”, acrescenta.

“O problema não se trata na retenção de médicos no SNS, uma vez que as regiões do Norte e Lisboa registam 70% e 60% de preenchimento, respetivamente”, defende Vasco Mendes, considerando que “o verdadeiro problema reside na sua correta alocação, pois existem regiões com péssimas taxas de preenchimento”.

A associação acrescenta que, na sequência de notícias recentes sobre a saída de médicos especialistas do SNS e no seguimento do apelo à ministra da Saúde para a fixação de médicos recém-especialistas em Portugal, endereçou uma carta ao Ministério da Saúde, na qual manifestou disponibilidade para dialogar, reiterando a necessidade de coordenar políticas e de desenvolver medidas integradas entre as tutelas da Saúde e do Ensino Superior com a devida antecipação.

O presidente da ANEM assinala a resposta e o interesse genuíno do Ministério da Saúde na proposta da ANEM, que invocou a disponibilidade da tutela para articular, com os estudantes, futuras medidas de planeamento.

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