Representando estudantes da Universidade do Porto, politécnicos e universidades privadas, resistiram à chuva e exigiram também mais residências e em melhores condições e aulas presenciais com qualidade.

“A pandemia veio deixar tudo isto mais exposto, não são problemas novos, são problemas com uma nova saliência. Dou como exemplo a redução para metade das camas em determinadas residências para estudantes. Claro que devia ser feito, mas a falta de camas hoje existe pois apesar do alerta para a necessidade de se construírem mais residências, o Governo disse que sim, mas nunca se avançou”, disse à Lusa, Guilherme Santos, aluno da Faculdade de Letras.

Crítico do “modelo de financiamento” que “assenta, principalmente, nas propinas”, o também porta-voz dos estudantes em protesto considerou que isso conduziu “a uma desresponsabilização do Estado”.

“Consequência disso foi a insuficiência das bolsas de estudo, uma rede de residências universitárias públicas que cobre menos de 12% dos estudantes deslocados, a degradação de estabelecimentos de ensino, como acontece na Faculdade de Direito e das Belas Artes, cujos edifícios estão extremamente degradados e onde os estudantes não têm condições para lá estudar”, enfatizou.

Guilherme Santos, apontou o dedo ao Governo para dizer que “acabar com as propinas custava 300 milhões de euros, mas houve 3,2 mil milhões de euros em 2019 para burlas fiscais”.

“Tínhamos esperança de que, depois das ações dos estudantes em várias faculdades ao longo deste ano, pudessem ser tomadas medidas sobre as necessidades do ensino superior e até para a investigação, mas não aconteceu”, lamentou.

António Fontes, estudante da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Instituto Politécnico do Porto (IPP), disse que "ainda hoje há pessoas à espera de saber quando vão receber de bolsa ao mesmo tempo que acumulam dívidas".

“Sentimo-nos afetados por mais coisas, desde logo por o ensino online não ser de qualidade, pois decorre numa plataforma que não nos deixa ter um aproveitamento necessário e também porque há estudantes que não têm computador em casa, o que é triste”, prosseguiu o estudante, residente no Porto, mas a estudar em Vila do Conde onde vai semana sim, semana não à faculdade, com as dificuldades a agravarem-se após o fecho das cantinas do IPP.

“Somos aconselhados a juntar-nos à dezena e pedir um take-away ou temos de deslocar-nos a outra cantina, fora do espaço de estudo, para ter direito a uma alimentação que devia ser assegurada pela universidade”, criticou António Fontes.

Maria Costa, estudante da Faculdade de Psicologia da Universidade Católica manteve o tom crítico para alegar que “argumentar que as propinas têm de existir para colmatar falhas é mentira porque a Faculdade de Belas Artes está a cair, a Faculdade de Direito teve a biblioteca fechada durante a época de exames e a educação, sendo um direito, não têm de ser os estudantes a financiar a sua própria formação”.

“Quase metade dos estudantes do ensino superior no Porto estão em faculdades privadas e, a verdade, é que nem todos os que a frequentam são ricos. A propina é muito alta e a frequência reveste-se de muitas dificuldades, obrigando os pais a ter mais do que um trabalho e alguns estudantes a terem de trabalhar para conseguir estudar”, denunciou ainda.

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