Segundo a imprensa norte-americana, o senador do Vermont, Bernie Sanders, que tentava pela segunda vez uma nomeação para as presidenciais, suspendeu a campanha. Nas redes sociais, o democrata convocou os apoiantes para um anúncio online, onde garantiu que apesar de a campanha terminar, "a luta pela justiça continua".

O senador de 78 anos reconhece que “o caminho para a vitória é virtualmente impossível” e, assim, “a batalha pela nomeação democrata não será bem sucedida”.

"Nunca fomos apenas uma campanha. Somos um movimento que acredita que a mudança não vem  de cima para baixo, mas de baixo para cima", afirmou. "A campanha termina, mas o nosso movimento não."

O senador diz que vai trabalhar com Joe Biden, "um homem muito decente".

Sanders , um "socialista democrático", estava à procura da nomeação pelo Partido Democrata para as presidenciais de novembro. O caminho fica agora aberto para Joe Biden — o único candidato à nomeação democrata que restava — enfrentar Donald Trump. Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama, era já apontando como favorito à nomeação.

O senador iniciou as primárias democratas com algumas vitórias encorajadoras, mas teve um forte revés na chamada “superterça-feira”, no dia 3 de março, quando perdeu muitas das 15 eleições em jogo nesse dia, deixando Joe Biden com uma confortável vantagem na contabilidade de delegados.

O anúncio de Bernie Sanders surge numa altura em que os Estados Unidos são o país mais afetado pela pandemia de covid-19.

Nesta fase, Sanders tinha já focado todas as suas intervenções políticas na crise de saúde pública provocada pelo surto de Covid-19, referindo a necessidade de o Governo dos EUA assegurar que os mais vulneráveis ficam protegidos dos danos económicos desta pandemia.

Os Estados Unidos registaram esta terça-feira 1.939 mortes causadas pela covid-19 em 24 horas, o pior recorde mundial diário, segundo a contagem da Universidade Johns Hopkins. O número total de mortes desde o início do surto nos Estados Unidos é agora de mais de 12.700.Os Estados Unidos também são, de longe, o país do mundo com o maior número de casos confirmados: cerca de 396.000 pessoas infetadas no país, de acordo com a universidade norte-americana, que atualiza continuamente os dados.

Nas últimas eleições, Sanders perdeu a nomeação para Hillary Clinton, que acabou derrotada nas urnas pelo republicano Donald Trump.  O atual presidente norte-americano reagiu já na rede social Twitter, dizendo que a culpa é de outra candidata dos  democratas: Elizabeth Warren.

"O Bernie Sanders está FORA! Obrigado à Elizabeth Warren. Se não fosse ela, o Bernie teria ganho todos os estados na Super Terça-feira! Isto terminou exatamente como os Democratas e o DNC queriam, tal como no fiasco da Crooked Hillary [Clinton]. Os apoiantes do Bernie deviam vir para o Partido Republicano, TROQUEM!", escreveu Donald Trump.

Desde dia 18 de março que Sanders estava a avaliar a permanência na corrida, depois de uma nova série de derrotas nas primárias do Partido Democrata.

O anúncio feito pela sua campanha veio depois de Joe Biden ter vencido a disputa nos três estados (Arizona, Florida, e Illinois) que foram a eleições naquela altura, distanciando-se ainda mais na corrida que decidirá quem é o candidato presidencial dos democratas.

“O Senador Sanders conversará com os seus apoiantes, para avaliar as condições da sua campanha. Por enquanto, no entanto, ele está concentrado na resposta das autoridades ao surto de coronavírus, para garantir que os direitos dos trabalhadores ficam garantidos”, disse na altura Faiz Shakir, diretor de campanha.

Início forte não resistiu a Biden

No início, a incerteza estava na dúvida sobre os apoios que as suas ideias mais radicais poderiam angariar, numas primárias Democratas muito concorridas, que chegou a ter mais de 30 candidatos. Sanders tinha sido derrotado por Hillary Clinton, nas primárias das eleições de 2016, mas a máquina de campanha ficou montada e permitiu ao senador de Vermont um bom arranque, com excelentes resultados nas três primeiras eleições.

Com uma base de apoio assente nos eleitores mais jovens, Bernie Sanders conseguiu uma plataforma política desafiadora dos “poderes instituídos”, com ideias progressistas que pareciam cativar setores do partido que consideravam ser necessário romper com os programas eleitorais mais tradicionais.

Sanders usou a sua proposta de um serviço de saúde universal e gratuito como uma das alavancas mais fortes da sua campanha, ao mesmo tempo que apresentava ideias para o setor fiscal que procuravam uma diferente redistribuição fiscal, aumentando a carga das grandes fortunas.

O presidente Donald Trump usou esse radicalismo para criticar o programa eleitoral de Sanders, acusando-o de ser “socialista”, uma palavra que no vocabulário político norte-americano é sinónimo de “comunista”.

Bernie Sanders conseguiu também angariar um leque muito alargado de pequenos financiadores que o tornaram o candidato com mais dinheiro para a campanha eleitoral, ao mesmo tempo que acusava os seus adversários internos de estarem muito dependentes dos apoios das grandes empresas.

Mas, depois de bons resultados nas primárias de Iowa, New Hampshire e Nevada, Sanders começou a perder terreno para Joe Biden, na “super-terça-feira”, quando o ex-vice-Presidente venceu 10 dos 14 Estados em disputa.

Nessa altura, Biden começou a beneficiar dos apoios dos candidatos que iam desistindo e de novas alianças que foram deixando Bernie Sanders mais marginalizado.

“Embora a nossa campanha tenha vencido o debate ideológico, estamos a perder o debate sobre a elegibilidade”, comentou recentemente o senador, referindo-se às progressivas dificuldades que ia sentindo para recuperar terreno para Joe Biden.

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