"A reunião foi talvez um bocadinho vaga de assuntos. É muito bonito ouvirmos, mas é quase aquela frase que ouvia em pequenino: ‘Olhai para o que eu digo, mas não para o que eu faço’. (…) Estavam a estudar o nosso problema. Até à data nada de concreto tem sido definido", lamentou António Ribeiro.

Nesta situação concreta estão 50 ex-trabalhadores que não atingiram os 57 anos exigidos pela lei para requererem a reforma antecipada por desemprego prolongado e ainda não foram reintegrados no mercado de trabalho.

O porta-voz da comissão representativa dos ex-trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo falava aos jornalistas após um encontro de 20 minutos com o presidente da Câmara, José Maria Costa, tendo referido que o autarca prometeu que "iria, com a Segurança Social, discutir e tentar resolver as situações mais complicadas".

Questionado sobre a possibilidade de reintegração daqueles ex-trabalhadores no mercado de trabalho local, afirmou que irá "aguardar por novidades".

"Nós sempre quisemos trabalho. Há muita gente como eu, nova para reforma e que está numa situação dramática", sustentou.

Aos jornalistas, José Maria Costa afirmou que, através do centro distrital de Segurança Social, irá "ver se há alguma situação de emergência que seja necessário atribuir apoio específico" e que, em articulação com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) será "adequado um programa de formação para as novas oportunidades de emprego que existem".

"Há muitas empresas, neste momento, em Viana do Castelo, que têm oportunidades de emprego. Vão ser comunicadas a estes 50 trabalhadores que se encontram numa situação mais complexa ",disse.

José Maria Costa referiu que o seu "compromisso do passado e do presente é encontrar soluções de empregabilidade", acrescentando que "várias propostas de emprego e de formação profissional foram já apresentadas a estes trabalhadores".

O autarca socialista afirmou que a "responsabilidade" pela situação em que se encontram estes ex-trabalhadores dos ENVC devia ser "colocada" aos sindicatos, "que deram más informações e, do ponto de vista político, há um responsável que se chama Aguiar-Branco [ex-ministro da Defesa]".

"Na altura, quando foi anunciada esta solução para os ENVC, foi dito que estava tudo resolvido. Que as pessoas tinham todas as regalias e que podiam assinar um documento de rescisão da sua relação contratual com os ENVC porque todas as situações estavam resolvidas. Pelos vistos, não", destacou.

Em 2014, quando os estaleiros foram subconcessionados à Martifer, estavam ao serviço dos ENVC 609 trabalhadores. O plano de rescisões amigáveis a que os trabalhadores foram convidados a aderir custou ao Estado 30,1 milhões de euros.

Suportado com recursos públicos, incluiu indemnizações individuais entre os 6.000 e os 200 mil euros, além do acesso ao subsídio de desemprego e reforma.

Em maio, numa deslocação à capital do Alto Minho o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva anunciou a criação imediata de uma equipa com a missão de preparar formação profissional para os ex-trabalhadores dos ENVC com vista à sua reintegração do mercado de trabalho.

Na altura, em declarações aos jornalistas e após ter reunido com a comissão representativa daqueles antigos funcionários, Vieira da Silva adiantou que aquela equipa envolveria a Câmara Municipal, o Instituto de Emprego e Formação Profissional, a Segurança Social e os próprios trabalhadores.

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