Contactada pela agência Lusa, a diretora do Museu Nacional dos Coches, em Belém, Silvana Bessone, disse que decidiu fechar à hora do almoço, entre as 13:00 e as 14:30, e depois às 17:00, em vez das anteriores 18:00 do encerramento habitual, devido à falta de vigilantes.

“O período de férias é complicado, e além disso há funcionários que ainda ficam em casa porque são de risco neste quadro da pandemia”, explicou a responsável, referindo que, a seguir à reabertura dos museus, a 18 de maio, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), que tutela os museus nacionais, “deu instruções para que os diretores regulassem os seus horários consoante as suas necessidades”.

Com sete vigilantes a menos do que o habitual, o Museu dos Coches vai manter este horário até 31 de agosto, uma situação que a diretora não vê com alarme porque o número de visitantes “diminuiu muito com a pandemia, mas está a melhorar, gradualmente”.

“Aqui neste museu entravam cerca de mil visitantes por dia. Esta manhã recebi 150, portugueses e estrangeiros, sobretudo famílias”, relatou.

Também o diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), Joaquim Caetano, decidiu encerrar salas entre as 12:00 e as 15:00 pelo mesmo motivo, mas mantém o horário entre as 10:00 e as 18:00.

“Quando entram, os visitantes são avisados das salas encerradas e podem regressar mais tarde para as verem, se assim o entenderem”, explicou, em declarações à Lusa.

Dos 24 vigilantes que o museu tem disponíveis habitualmente estão 16 a trabalhar, e o museu encerrou as salas da capela, do mobiliário e de artes decorativas no período de almoço.

Entretanto, o diretor pediu ao Centro de Emprego um reforço de seis vigilantes e está a aguardar resposta.

Quanto à afluência de visitantes em tempo de pandemia, também verifica uma gradual recuperação, para os 400 por dia: “Não é o que tínhamos antes do surgimento do vírus, mas já é razoável”, avaliou Joaquim Caetano.

Por seu turno, a diretora do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, Emília Ferreira, face ao mesmo problema, optou por encerrar uma hora no período de almoço ao fim de semana, entre as 14:00 e as 15:00.

“Num cenário ideal precisaríamos de 20 vigilantes e agora temos nove”, resumiu.

Mesmo assim, “não é tão dramático, porque há salas neste momento sem exposições. Mas quando inaugurarem as novas, em setembro, vai agravar-se”, disse à Lusa.

Ao todo, o Museu de Arte Contemporânea dispõe de 15 vigilantes e atualmente estão três de férias e três de baixa.

Sobre a segurança das peças, Emília Ferreira disse que “está sempre assegurada, com um esforço de organização interna”.

Já o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, está a encerrar por falta de pessoal no segundo fim de semana dos meses de verão, disse hoje o diretor, justificando ser essa “a única opção” que lhe restava.

“Conto com três assistentes técnicos, um deles de baixa médica e que vai ser prolongada”, pelo que estão a trabalhar “duas únicas funcionárias” responsáveis por bilheteira, portaria, informações e vigilância, entre outras tarefas, explicou o diretor do museu, António Alegria.

Com o quadro do museu para esta categoria, o qual “nunca esteve completo”, a prever “aí umas 12 pessoas”, os atuais auxiliares têm de fazer um trabalho polivalente, “mas não é de polivalência” que a instituição precisa, “é mesmo de pessoas”, frisou o responsável.

“Se tenho duas pessoas e uma está de férias, fico com uma. Como é que eu posso fazer? Abro a porta, ponho a pessoa na bilhética e quem é que tenho para fazer vigilância, para dar indicações”, questionou.

Contactada pela Lusa sobre a situação destes museus, fonte do gabinete de imprensa da DGPC confirmou que foi dada “uma autorização para a flexibilidade de horários de abertura e encerramento ao público de todos os museus, monumentos e palácios, até ao próximo dia 31 de agosto de 2020″.

Esta medida “permite aos diretores ajustarem os horários em função dos recursos humanos disponíveis, dos seus públicos e das suas especificidades geográficas ou outras”.

“Foi decretada na sequência da reabertura dos museus e monumentos após o covid-19, tendo em conta as condições excecionais de funcionamento definidas por razões sanitárias”, justificou ainda a DGPC.

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