“Fazemos parte do protesto, como parte interessada, que quem nos envolveu nesta questão do IP3 [Itinerário Principal 3] foi precisamente o primeiro-ministro [António Costa], quando disse, há quatro anos, que a estrada ia estar requalificada e que ou se optava pelo IP3 ou pela recomposição da carreira dos professores”, disse Mário Nogueira.

O secretário-geral da Fenprof falava à agência Lusa no final da “contra-inauguração” em Penacova das obras naquela estrada que liga Coimbra a Viseu, num protesto que juntou Fenprof e a Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3.

Passados quatro anos, o dirigente sindical notou que se a recomposição da carreira dos docentes se manteve, já a requalificação do IP3 ainda não está terminada, tal como tinha sido projetado pelo Governo.

“Fizemos questão de estar aqui para dizer às populações junto ao IP3, que o usam todos os dias, que não é culpa dos professores a estrada não estar arranjada, porque foram roubados em quase dez anos de tempo serviço”, frisou.

Caso a intervenção não esteja concluída daqui a quatro anos, “o Governo vai ter que arranjar outra profissão como alternativa”, referiu Mário Nogueira.

Se há quatro anos a necessidade de valorização da carreira docente era importante, hoje torna-se ainda mais urgente face à dificuldade de atrair jovens para a profissão e à saída de docentes por causa das condições precárias do seu trabalho.

“É preciso uma carreira que não afaste mas que atraia os jovens, que se acabe com as vogas e quotas de avaliação que impedem a progressão”, defendeu Mário Nogueira, frisando que professores com 26 anos de serviço “têm um salário bruto 1.100 euros abaixo do que teriam em 2005”, sem pôr na equação questões como a inflação.

A requalificação do IP3 e a valorização da carreira docente “são duas medidas imprescindíveis para o país”, frisou.

“Se calhar, daqui a uns anos, o Governo vai ter que dizer que é o IP3 ou o salário dos médicos”, notou Mário Nogueira.

Segundo Eduardo Ferreira, da associação de utentes, cerca de duas centenas de pessoas associaram-se à “contra-inauguração”, que contou com uma caravana automóvel que foi de Espinheiro, em Penacova, até Souselas, no concelho de Coimbra.

O “contra-primeiro-ministro” cortou a fita associada à obra, fez um discurso, mas “não houve croquetes desta vez, porque a verba esgotou-se”, afirmou à Lusa Eduardo Ferreira.

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