“Ver-se-á se há pântanos ou não no seu caminho”, afirmou Negrão, na intervenção de fundo do PSD no debate do programa do XXII Governo Constitucional, no parlamento, retomando um cenário afastado por António Costa no seu discurso de tomada de posse.

O ex-líder parlamentar do PSD questionou qual a estabilidade de um governo minoritário “que vai navegar à vista, com uma calculadora na mão a ver se soma os votos necessários para aprovar as suas medidas”.

“Nesta bancada, aqui estaremos, como sempre, vigilantes, mas construtivos, sem dogmatismo e com espírito de diálogo e abertura para questões de Estado relevantes”, assegurou.

Negrão vaticinou que os anteriores parceiros de governo não vão ficar satisfeitos “com as migalhas” que o PS incluiu no seu programa do Governo.

“Onde há estabilidade política num governo minoritário que tem um primeiro-ministro que não hesitará em provocar uma crise política - como já fez anteriormente com a questão dos professores - se isso se lhe afigurar como politicamente útil e vantajoso, mesmo que não o seja para o país?”, questionou.

Na sua intervenção, Fernando Negrão apontou que “tudo soa ao mesmo”, quer no otimismo e confiança no futuro, quer “na falta de capacidade e de competência”.

“E o pior de tudo, soa a falso as expectativas que cria aos portugueses”, criticou, acusando António Costa de liderar “um governo recauchutado” que quer “gerir e não governar”.

O antigo líder da bancada social-democrata prometeu que o seu partido não irá esquecer o caso das armas de Tancos, porque “é o bom nome do Estado português e das Forças Armadas que está em causa”.

“A verdade, por mais inconveniente que seja, e incomode quem incomodar, terá de ser conhecida. Estaremos cá, senhor primeiro-ministro, para não o deixar colocar este tema na gaveta”, avisou.

A situação na saúde - nomeadamente as obras na ala pediátrica no Hospital de São João, no Porto, ou o encerramento recorrente das urgências pediátricas do Hospital Garcia de Orta -, as dívidas aos bombeiros e a fornecedores do Estado foram outros temas abordados por Negrão.

“Uma casa de tijolo construída em alicerces de papel. À custa dos portugueses, das instituições”, criticou, classificando ainda como “um fracasso rotundo” o programa que pretendia incentivar emigrantes a regressar.

O deputado do PSD responsabilizou diretamente por estas falhas António Costa, que voltou a acusa de “gostar de brincar ao faz de conta”.

“Senhor primeiro-ministro, não basta ter um governo para poder dizer que governa”, criticou.

Num pedido de esclarecimento, o vice-presidente da bancada do PS Pedro Delgado Alves considerou que “o que soa ao mesmo é a intervenção da bancada do PSD”.

O deputado socialista recuperou a intervenção feita no debate do programa de 2015, protagonizada pelo então líder parlamentar do PSD Luís Montenegro - hoje candidato à liderança do partido contra Rui Rio -, onde este alertava para o crescimento do défice ou a quebra do investimento que se iria verificar com o executivo socialista.

“Quatro anos depois, o PSD parece que não aprendeu nada. Durante quatro anos se falou do diabo, quatro anos depois cá estamos com uma maioria reforçada”, frisou.

À crítica de que o PS não faz reformas estruturais, Pedro Delgado Alves respondeu com o aumento da sustentabilidade da Segurança Social, com a aprovação da Lei de Bases da Habitação ou de uma nova Lei de Bases da Saúde.

O ‘vice’ da bancada socialista defendeu ainda que todos os anos tem havido menos pessoas a sair do país, afirmação que foi audivelmente contestada por parte da bancada do PSD.

“Estamos á espera de saber o que o PSD pensa sobre o programa do XXII Governo Constitucional”, desafiou então, pedindo aos sociais-democratas que se pronunciem sobre medidas como o aumento do salário mínimo, a progressividade dos escalões ou a coesão territorial.

Na resposta, Negrão recorreu à ironia. “Está à espera que lhe vá responder? O exemplo que temos é o dr. Rui Rio ter feito quatro perguntas ao primeiro-ministro e este não ter respondido a nenhum”, apontou, referindo-se ao arranque do debate, da parte da manhã.

(Notícia atualizada às 16:35)

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